Assim que o Justin me deixou em casa eu fui tomar um banho, escrever as novidades no meu diário e acabei dormindo. Acordo escutando um barulho abro os meus olhos e vejo o Apolo folheando meu livro de biologia que estava sobre a escrivaninha.
–O que você está fazendo aqui? – perguntei assustada e me levantando rapidamente – Como você entrou?
–Hey... relaxa. – ele disse rindo – Sua mãe foi quem abriu a porta e disse que eu poderia subir, acho que ela pensava que você já estava acordada.
–E porque você está mexendo nas minhas coisas? – disse arrancando o livro de suas mãos.
–Estava apenas procurando algum papel para deixar um recado para você, afinal você nunca acordava.
–Pois agora diga o que quer. – disse irritada.
–Eu só vim te ver e te convidar para uma festinha que eu estou organizando lá na minha casa. – ele disse me entregando um convite.
–Não obrigada. – recusei duramente.
–Vou deixar aqui em cima. – ele disse colocando o convite sobre a escrivaninha – Caso você mude de idéia.
–Pode ter certeza que eu não vou mudar de idéia. – disse abrindo a porta do meu quarto – Agora já que disse o que queria, vai embora.
–Quanta cortesia. – ele disse rindo debochado.
–Vai logo. – disse irritada com a sua demora e os seus risos.
–Já estou indo. – ele disse de mãos levantadas enquanto ia até o corredor – Tchau Julieta.
Fechei a porta com força, mas logo que ele foi embora a minha mãe aparece no meu quarto.
–Quem é esse garoto?
–O filho do prefeito. – expliquei
–Nossa ele é bem...
–Arrogante e metido! – completei a sua fala.
–Não... eu achei ele bem simpático e autêntico. Até conversou sobre economia com o seu pai, ele está lá embaixo até agora elogiando esse garoto.
–Eu realmente não entendo o papai, ele gosta de quem não devia e critica quem deveria gostar.
–Ele ainda vai se acostumar com o Justin, tenho certeza.
–Tomara mesmo. – disse enquanto voltava a deitar na cama.
–Já estava me esquecendo. - Minha mãe disse levando a mão até a cabeça – Uma menina que disse que era da sua escola veio aqui mais cedo, ela até entrou no seu quarto mas disse que você estava dormindo.
–Quem a Marie? – perguntei.
–Não... eu nunca tinha visto ela. Se não me engano ela disse que se chamava Cloe.
–A Cloe? – disse surpresa – O que ela veio fazer aqui.
–Não sei, ela só disse que queria conversar contigo.
–Estranho... muito estranho isso. – disse pensativa.
–Bom, o jantar está servido você não quer ir comer algo? – ela perguntou.
–Droga... tinha me esquecido. – disse levantando rapidamente da cama e indo até o meu closet enquanto telefonama pelo meu celular – O Justin queria comemorar hoje e eu dormi tanto que acabei esquecendo.
–Comemorar o que? – ela perguntou curiosa.
–O treinador dele disse que vai ir olheiros assistirem ao torneio. – disse contente – É uma ótima oportunidade de ele entrar na faculdade.
–Nossa querida, que ótimo. – minha mãe concordou sorrindo – Falando nisso... precisamos decidir seu futuro também, a formatura é no final do ano.
–Ainda tem tempo mãe. – disse enquanto discava novamente para o celular do Justin.
–Ok... depois nós conversamos. – ela disse indo até a porta – Porque você não o convida para vir jantar em casa, depois vocês saem.
–Está bem. – respondi antes dela ir embora.
–Alô? – o Justin atendeu a ligação.
–Oi amor! – disse sorrindo – E aí? Vamos comemorar?
–Claro!! – ele concordou feliz – Não quer vir aqui em casa? Minha mãe tem um jantar de reunião agora.
–Poderia ser depois que nós jantarmos aqui em casa? – perguntei com cuidado – É que minha mãe pediu que eu te convidasse, acho que ela iria adorar que você viesse.
–Mas e o seu pai? – ele perguntou inseguro.
–Ele não vai te tratar mal, Justin. – disse rindo.
–Ok, eu já estou indo para aí. Mas depois nós vamos sair não é?
–Sim amor. – disse carinhosamente – Eu prometo que depois nós vamos sair.
–É uma promessa hein! – ele disse rindo fraco – Daqui alguns minutos eu estou aí.
–Vou ficar te esperando. Beijos.
–Beijo. – ele disse e finalizamos a ligação.
Terminei de me arrumar e desci as escadas para ficar esperando ele chegar.
–O que tanto você olha para essa janela? – meu pai perguntou enquanto trocava de canal.
–O Justin está vindo almoçar conosco. – minha mãe respondeu no meu lugar – E fui eu quem pediu para a nossa filha convidá-lo.
–Até que foi uma boa idéia. – meu pai disse seriamente – Eu quero conhecer melhor esse garoto.
–Justin pai, por favor, o chame de Justin. – disse ainda olhando pela janela e vendo que ele tinha acabado e estacionar o carro em frente a minha garagem.
Abri a porta e fui até o seu encontro.
–Você não correu não é? – disse preocupada afinal ele tinha chegado rápido demais.
–Não. – ele disse rindo enquanto saia do carro e me dava um selinho – A cidade está mais calma hoje.
–Acho bom. – disse acariciando sua nuca e lhe beijei.
–Jú... – ele rompeu nosso beijo – O seu pai pode ver.
–Até parece que ele nunca beijou. – disse rindo – E ele também está mais distraído com a televisão do que outra coisa.
–Pois eu tenho certeza que não. – ele disse falando mais baixo e tentando disfarçar – Ele está olhando pela janela.
Virei meu rosto e o vi parado olhando para a minha cintura, onde o Justin estava com as suas mãos.
–Algum dia ele cansa disso tudo. – disse voltando a olhar para o Justin e pegando em sua mão para entrarmos em casa – Fica a vontade. – disse soltando sua mão e fechando a porta.
–Com licença. – ele disse educadamente – Boa noite senhor Monteiro.
–Boa noite garoto. – meu pai respondeu e lhe cumprimentou.
–Justin, pai. – o avisei novamente – É Justin.
–O Justin já chegou? – minha mãe disse aparecendo na sala enquanto limpava as mãos em um pano de prato – Seja bem vindo Justin. Desculpa a simplicidade.
–Não precisa se incomodar. – o Justin disse lhe cumprimentando – Sua casa é muito reconfortante, eu gosto desse jeito familiar.
–Obrigada. – minha mãe agradeceu – Eu ainda não terminei de servir a mesa, mas estou quase terminando.
–Porque você não ajuda a sua mãe enquanto eu e o Justin ficamos conversando aqui na sala? – meu pai disse para mim.
–Claro. – disse insegura – Tudo bem Justin?
–Sim amor, pode ir qualquer coisa que precisarem é só me chamar que eu também posso ajudar. – o Justin disse tentando conter o nervosismo.
–Não vai precisar. – disse minha mãe – Tenho a Lolita para me ajudar também.
–Vamos Justin, sente-se. – meu pai disse se sentando no sofá.
Fui até a cozinha com a minha mãe para ajudar a levar as coisas até a sala de jantar, mas na realidade minha atenção estava mais dedicada à conversa deles na sala.
–Seu pai está só se fazendo de durão. – minha mãe disse rindo enquanto colocava os pratos na mesa e notava para onde eu estava olhando – Cão que ladra não morde.
–Mãe! – disse rindo do que ela disse.
–Espera só quando você casar. Você vai aprender na prática como os homens só se fazem de durão para mostrarem que mandam nas coisas.
–Tomara que isso demore bastante. – disse rindo e terminando de arrumar os guardanapos.
–O tempo voa filha. – disse a minha mãe – Pode chamar eles para virem comer.
–Ok, já vou indo. – disse andando apressada até a sala.
Nós jantamos em paz, apesar das perguntas do meu pai e das piadinhas da minha irmã para descontrair o clima.
–Parabéns Justin, a Julieta me contou sobre a sua oportunidade de ir para a faculdade. – minha mãe disse sorrindo.
–Obrigado, mas ainda não está nada certo eles precisam me ver jogar primeiro.
–Tenho certeza que ele vai acabar conseguindo. – disse apoiando minha mão em seu ombro – Ele é um excelente jogador, não é a toa que o escolheram para ser capitão do time.
–Eu apenas faço o que posso. – ele disse agradecido e sorrindo para mim.
–Vocês ainda vão sair? – minha irmã perguntou depois de dar um gole em seu suco.
–Sim. – assenti e olhei para o relógio preso no pulso do Justin – Já está ficando tarde, nós precisamos ir.
–Verdade. – o Justin concordou e me ajudou a sair da mesa – Muito obrigado Senhora Monteir o jantar estava ótimo.
–Apareça quando quiser.
–Pode deixar que ele vai sempre vir aqui. – disse sorrindo enquanto pegava meu casaco.
–Obrigado pela recepção Senhor Monteiro e adorei te conhecer melhor Lolita. – o Justin disse pegando as suas chaves e me seguindo até a porta.
–Tchau gente. – disse mandando beijo e abrindo a porta.
Assim que saímos de casa e eu fechei a porta deu até para escutar o suspiro que o Justin deu.
–Sofreu tanto assim? – perguntei rindo abraçando sua cintura.
–Seu pai é mesmo muito...
–Rigoroso? – perguntei – O que ele te falou? Ele te fez algo que te deixou constrangido?
–Não. – ele disse enquanto abria a porta do carro para eu entrar – Ele só foi um tanto curioso.
–Desculpa amor. – disse envergonhada assim que ele se sentou ao meu lado. – Eu não deveria ter deixado vocês a sós.
–Tudo bem. – ele disse sorrindo e dando a partida – Alguma hora eu iria passar por isso e não seria nada bom que ele pensasse que eu sou covarde.
–Afinal você não é. – disse enquanto me olhava no espelho.
–Você está linda sabia. – ele disse olhando eu me arrumando.
–Obrigada Jus. – disse fechando o espelho e o olhando- E você está irresistível com esse cachecol.
–Só achei que deveria vir um pouco mais apresentável. – ele disse enquanto dirigia – Falando em irresistível... eu programei uma noite completa para nós dois.
–Mas é para comemorar. – disse olhando o caminho que ele tomava.
–Quem disse que não vamos comemorar? – ele disse sorrindo de canto – Vamos até brindar com champanhe.
–Jus... – eu ia dizer, mas ele me interrompeu.
–“Eu não bebo” – ele disse imitando a minha voz o que me fez rir – Duvido que você vai resistir a uma boa taça de champanhe.
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