–Porque você não me contou que seus pais eram os novos donos do clube? – ele perguntou confuso e com certa delicadeza enquanto devorava seu sanduíche.
–Não sei também. Acho que foi por falta de oportunidade. – respondi.
–Uma vez eu te convidei para irmos ao clube e você disse que estaria ocupada.
–Naquele tempo eu fugia de você. – disse rindo – Te dava tanto fora, mas você insistia em ficar no meu pé.
–E não me arrependo de tudo isso. – ele disse rindo junto comigo.
–Ainda bem que foi tão persistente. - disse dando um gole no refrigerante.
–Jú... come direito. – ele insistiu – Você está me deixando irritado com isso. Está por acaso fazendo alguma dieta?
–Não, embora eu precise. – disse olhando para o meu corpo.
–Tem alguma coisa que você está guardando não é? – ele perguntou – Antes você devorava todo o lanche em questão de segundos.
–Seu exagerado. Você fala de um jeito como se eu fosse alguma participante de uma disputa de quem come mais em menos tempo.
–Não é bem assim, mas eu te conheço. Tem alguma coisa a mais. Foi o que a Cloe te disse no baile? – ele tentou descobrir o motivo.
–Talvez seja também isso. – disse insegura.
–Jú... – ele disse parando de comer e segurando minha mão que estava apoiada no capô – Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. Me diz, tenho certeza que vai te fazer se sentir melhor. Ou será que eu sou tão inconfiável assim?
–Claro que não, é que eu não sei como falar.
–É algum papo de mulher? – ele perguntou desconfortavelmente – Sei que talvez eu não possa te ajudar tanto nisso, mas sei lá... vou fazer o máximo para poder ajudar em algo.
–Não. – disse rindo – Não é nenhum “papo de mulher”.
–Ainda bem. – ele disse mais aliviado – Então pode falar porque sendo assim é mais provável que eu possa ajudar.
–Promete que vai me escutar e não vai ficar nem um pouco alterado? – perguntei de olhos fechados.
–Eu? Alterado? Até parece que você não me conhece.
–É porque eu te conheço muito bem, senhor Bieber.
–Ok – ele disse sorrindo – Pode falar que eu vou ficar na minha.
–Está bem... bom não sei por onde começar. – disse passando a mão nos meus cabelos – No baile quando eu fui procurar a Marie...
–Eu sei que você ficou desconfortável com o comentário da Cloe – ele me interrompeu.
–Não só com o comentário da Cloe. É que as vezes me sinto que estou mesmo em outro mundo, como se Stratford são fosse o meu lugar. As meninas daqui são totalmente diferentes de mim. Elas são lindas, com uma pele e corpos perfeitos, vivem bem vestidas e sabem interagir com todo mundo.
–Você nunca me pareceu tão insegura em relação isso. Você tem a sua personalidade tão forte e diferente das delas...
–Não é que eu queria ser igual a elas – o interrompi – Só acho que pareço mais um patinho feio perdido nessa lagoa. Tipo um corpo estranho dentro de um organismo totalmente equilibrado. Parece que depois que eu vim para cá a minha vida não é mais a mesma. Nunca fui tão questionada e controlada desse jeito, como se estivesse participando de um reality show. – suspirei – Será que a Cloe não tem razão? Será que eu sou uma intrometida em Stratford e que ainda por cima roubei você dela? Será que vocês não tivessem que ser um do outro? Será que eu estou atrapalhando a vida de vocês? Afinal vocês estavam “juntos” há muito tempo, suas famílias se conhecem, são do mesmo nível...
–Para de falar isso Jú. – o Justin me interrompeu brutalmente – Até parece que o nosso romance é um erro como o seu pai também acha.
–Eu quero que você seja feliz. – disse cabisbaixa – Não entendo porque tem tantas pessoas contra a nossa união, parece que sou como uma destruidora.
–Você mesmo disse que eu corri tanto atrás de você, então como você pode ser a culpada? – ele disse levantando meu rosto – Eu escolhi ficar com você. Você acha que é tão errado assim correr atrás do que nós queremos?
–Não. – disse derrotada.
–Então. – ele me abraçou de lado fazendo apoiar minha cabeça em seu ombro – Você ficou sentida com os comentários da Cloe e do seu pai. Eu também fiquei um pouco, mas não me arrependo de nada. Não me arrependo de ter te conhecido, muito pelo ao contrário... me fez muito bem. Você é alguém que eu confio e me sinto melhor quando está assim tão perto.
–Falando em confiança... – disse me afastando e olhando para o seu rosto – Acho que tenho mais uma coisa para te contar que na verdade era o que eu estava tentando de contar primeiro.
–Diga. – ele disse arqueando as sobrancelhas.
–Bom... quando eu fui procurar a Marie, o Chaz foi embora e logo o Apolo veio falar com a gente. Na verdade ele veio falar comigo. – disse aos poucos – Ele disse que não quer me usar para te atingir...
–E você acreditou? – ele perguntou perplexo.
–Não! – disse ofendida – Me escuta primeiro. A gente acabou discutindo e ele também tentou... ele tentou... me beijar.
–Eu disse para você ficar longe dele, mas você é teimosa demais. – o Justin disse irritado.
–Agora eu sou a culpada? Porque será que eu estou aqui te contando? – disse ofendida.
–Não estou falando que você é culpada, só que deveria tomar um pouco mais de cuidado e se afastar.
–Eu me afastei e fui correndo te procurar. Lembra quando eu te abracei quando você estava com seus amigos no bar do salão? Então... foi depois de tudo isso e ainda o Apolo estava me perseguindo.
–Porque você não me contou na hora? Porque não queria me contar agora? – ele perguntou confuso.
–Não quero que se envolva em briga Justin. Sei que você iria arrumar confusão sendo que meus pais estavam lá e ainda seria perigoso para o seu julgamento.
–O Apolo está tentando arrumar alguma forma de controlar a situação. – ele disse bravo.
–Vamos tentar ficar mais na nossa para não arrumar conseqüências.
–Mas isso seria entrar no jogo dele.
–Não seria não. Nós vamos apenas ficar neutros quanto a isso. – disse acariciando seu rosto.
–Esse dia dos namorados foi um desastre.
–Shh... ainda dá para reverter a situação. – disse carinhosamente – Vamos aproveitar as últimas horas do dia.
–Você tem razão. – ele disse pegando uma batata frita e colocando na sua boca – A noite está linda, estamos em um esconderijo e ainda por cima juntos. Agora só resta você comer alguma coisa.
–Está bem. – disse rendida enquanto pegava o sanduíche e deitava em cima do capô.
–Jú? – o Justin me chamou.
–Sim?
–Você tem horas para voltar para casa hoje? – ele perguntou curioso.
–Acho que não. Minha mãe tinha me dito, quando eu fui ajudar a montar a festa, que o baile ia rolar até tarde. Ia ter café da manhã e tudo. – disse dando uma mordida no sanduíche.
–E o seu pai? Ele vai proibir o nosso namoro?
–Acho que proibir... não. – disse pensativa.
Ele sorriu, deitou ao meu lado e dividimos as batatas fritas enquanto conversávamos e fazíamos carinhos um no outro.
Escutei uma voz rouca sussurrar no meu ouvido e aos poucos fui abrindo os olhos. Senti uma claridade iluminar meu rosto e dificultar a minha visão.
–Acorda dorminhoca. – o Justin disse rindo enquanto tirava o cabelo do meu rosto – O Sol já está nascendo.
Me ajeitei em seu peito, espreguicei e abri mais meus olhos.
–Nunca vi o Sol nascer tão perto assim. – disse sonolenta enquanto via que no céu havia um Sol radiante no lugar da Lua de ontem. – Quando eu acabei dormindo? – perguntei confusa ao reparar que estava coberta pelo meu sobretudo.
–Vou tentar não levar para o lado pessoal, mas você adormeceu quando eu estava te beijando. – ele disse rindo fraco – Quando eu parei de beijar seu pescoço e olhei para o seu rosto vocês estava até suspirando de tanto sono.
–Desculpa. – disse envergonhada – Acho que eu estava muito cansada. Mas e você? Dormiu bem?
–Eu dei uma cochilada. – ele disse dando de ombros – Acho que já está tarde para você ficar fora de casa.
–Parece até que sou uma criança para você ficar me cuidado – disse risonha enquanto me levantava.
–Só não quero que seu pai fique bravo com você ou que ainda piore a visão dele em relação a mim. – ele disse descendo do capô e me ajudando a ficar de pé no chão.
–Está bem. – disse ainda sonolenta – Eles devem chegar as nove porque o café da manhã vai ser as oito. Que horas são agora?
–Seis e meia. – ele disse olhando para o seu relógio – Dá tempo de você tomar um banho e ir dormir na sua cama.
Limpamos o capô do carro e fomos para a minha casa. Assim que chegamos não havia nenhum sinal de vida pela vizinhança.
–Quer entrar? – perguntei ao Justin.
–Não, é melhor você entrar sozinha. – ele disse carinhosamente e me puxou para mais perto – Me promete que vai tomar um banho quente e descansar?
–Prometo. – disse rindo fraco – Cuidado de dirigir sonolento pela cidade e vê se também descansa.
–Pode deixar. – ele disse sorrindo de canto.
Inalei o perfume que exalava da roupa e da pele dele e o beijei. Seus lábios eram a melhor coisa para sentir de manhã. Como se fosse um antídoto que me acalmava, mas ao mesmo tempo de deixava nervosa e ansiosa.
–Bom dia. – ele disse assim que separou nossos lábios.
–Para você também. – disse sorrindo e admirando seus olhos perfeitos.
Abri a porta do carro, peguei minha bolsa e caminhei até em casa. Assim que eu entrei e tranquei a porta escuto o carro do Justin dar a partida.
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