Chego em casa, tomo um banho, escrevo no meu diário e volto a terminar de estudar.
–Filha... tem uma encomenda para você! – minha mãe grita da sala.
–Ué... que estranho. – disse enquanto descia a escada. – Que encomenda? – perguntei a minha mãe.
–Não sei... um moço lá fora que disse que tem uma encomenda para te entregar.
–Mas eu não pedi nada. Deve ser algum engano.
–Então vai lá ver e avisa o moço que essa encomenda não é sua. Eu estou no telefone. – ela disse levando o celular em sua mão até a orelha.
Caminhei até a porta, olhei pelo olho mágico e vi um homem vestido com um macacão azul.
–Pois não? – perguntei assim que abri a porta.
–Você é a Julieta Monteiro? – ele perguntou lendo meu nome na prancheta em sua mão.
–Sim... sou eu.
–Essa encomenda é para a senhorita. – ele disse arrastando uma caixa de papelão em cima de um carrinho.
–Espera. Eu não fiz nenhum pedido e nem se quer conheço essa loja – disse lendo mentalmente o nome da loja escrito na caixa.
–Fizeram o pedido agora à tarde e aqui diz que você é o destinatário. Onde eu deixo a caixa?
–Ok... – disse olhando ao redor – Então pode ser no quintal. – disse enquanto abria a portinha do cercadinho para que ele levasse até lá.
O moço colocou a caixa onde eu indiquei e me entregou a prancheta.
–Assine aqui, por favor.
Eu assinei e em seguida ele me entregou um recibo.
–Obrigada. – disse acompanhando ele até fora de casa.
Assim que ele se foi, eu voltei até o quintal e olhei o recibo em minhas mãos para achar alguma pista. Preso ao recibo tinha um envelope branco. Na parte externa estava escrito.
“Abra primeiro”
Com receio, eu caminhei até a caixa e fui abrindo cuidadosamente. Depois de tirar toda a embalagem eu vi um daqueles bonecos de borracha próprios para treinar boxe, igualzinho ao Robby. Mas esse tinha uma coisinha diferente, em cima de sua cabeça havia uma peruca idêntica ao cabelo do Justin. Abri o envelope e li o cartão que continha dentro dele.
“Mesmo que você me machuque, eu sempre vou continuar sendo o seu mais fiel companheiro”
Justin B.
Eu odiava quando ele fazia isso, pois toda vez eu suspirava assim que lia um bilhete dele. Dei um soco fraco no peito no boneco e voltei para o meu quarto, levando comigo o cartão.
Na escola o clima entre nós era bem frio. Passamos a estudar apenas na biblioteca e na turma de teatro não havia nada decidido. Antes de começar os ensaios precisava ter os figurinos e os cenários prontos, para depois decidimos os papéis e as falas. Só sei que a história foi escrita por um aluno da escola, pelo o que dizem ele sempre escreve para todos os espetáculos. As semanas passaram lentamente, quando eu estava com Justin a sensação era oposta, o tempo passava em um piscar de olhos.
Estava andando pelos corredores quando escuto alguém me chamar.
–Julieta! – era a voz de Pattie.
–Pattie?! O que você está fazendo aqui? – perguntei surpresa.
–Eu vim conversar com a diretora.
–Com a diretora?
–É… vim fazer uma proposta. Acho que você também vai gostar.
–Que tipo de proposta?
–Bom… eu pensei em fazer um evento de caridade. Seria legal se os jovens participassem dele, trabalhando em barracas de jogos, comidas…. Vai ter muita coisa interessante e divertida.
–Nossa Pattie, que legal.
–A diretora também gostou da idéia. Ela achou bom para os alunos participarem e ajudarem nas arrecadações. Tudo o que for faturado vai ser revertido para doações. E então… posso contar com você?
–Claro! É óbvio… vai ser um prazer. – disse sorridente.
–Ai que bom. Já até conversei com uma amiga sua sobre isso. – ela estava falando mas foi interrompida pelo seu celular tocando– Desculpa querida, mas preciso ir. Depois nos falamos.
–Tudo bem, sem problemas – disse dando um abraço nela e segui o meu caminho.
Fui até a rádio e achei a Marie escrevendo em um caderno, ela estava toda pensativa. Caminhei devagar até ela e gritei em seu ouvido:
–OOOOOOIE!!
–Aaaai… você me assustou. – ela disse dando um pulo.
–O que você está fazendo?
–É que a Pattie, a mãe do Justin, veio falar comigo.
–Aaa então foi com você que ela conversou. – disse dando um riso fraco.
–É. – Marie disse e voltou a escrever.
–Não vai me falar o que ela falou para você? – perguntei curiosa.
–Ela me convidou para ajudá-la a organizar a lista de alunos e as suas devidas funções no evento de caridade. Como estou há tanto tempo aqui, eu conheço mais ou menos um pouco de cada um. A Pattie disse que quer encaixá-los em funções que os deixem confortáveis e que tenham algo ligado ao gosto deles, para que possam ajudar sem reclamar.
–Posso ver as funções de cada um?
–NÃO! Só depois.
–Mas eu preciso saber com que parte eu vou ficar encarregada, afinal eu também vou participar.
–Claro que você vai ficar sabendo, assim como todo mundo, apenas no dia do evento.
–O que? Pára Marie… diz logo em que barraca eu vou ficar, se é que eu vou ficar em uma barraca.
–Ok… eu vou te dar apenas uma dica. Você vai cuidar de uma barraca sim.
–Que tipo de barraca? – perguntei tentando descobrir mais algo.
–Já disse que não vou contar agora, vai ser apenas no dia.
–Mas por quê? Me conta de um vez vai!!!
–Não Jú!! Eu já te dei uma dica.
–Me dá mais uma dica, então.
–Nem pensar… eu disse que ia dar uma dica só, não adianta tentar arrancar mais nada de mim.
–Quer saber, eu tenho até medo de saber o que você está armando. –disse tentando ler o que ela escrevia, mas não estava dando muito certo. – Aaaa não! Não vai me dizer que eu vou ficar na mesma barraca que o Justin?!
–Quem vai o que? – Chaz disse entrando na rádio e vindo se sentar ao lado de Marie.
–Ela quer saber se vai trabalhar junto com o Justin. – Marie disse rindo e lhe abraçando.
–Relaxa Jú… você não está na mesma barraca que ele. – Chaz disse retribuindo o abraço de Marie.
–Como você sabe? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
–Eu vi nas anotações. Estou ajudando a Marie nisso. – ele disse sorrindo.
–Aaaa… porque ele pode saber de tudo e eu não? – disse cruzando os braços.
–Porque ele é o Chaz… e você não é ele, então você não pode saber de nada. – ela disse debochando.
–Marie, então me fala pelo menos com quem eu vou ficar.
–Que chata você é, Jú! Na sua barraca só precisa de uma pessoa para cuidar, então você vai trabalhar sozinha, não vai ter mais ninguém contigo. Agora deixa a gente a sós. – ela disse rindo enquanto apontava para a porta, me expulsando literalmente.
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