–Você quer mesmo saber? – eu assenti com a cabeça – OK... a culpa disso é toda sua!
–Minha? Agora é que eu não estou entendendo nada!
–Você fica jogando seu charme pra cima de todos os garotos!
–Espera aí... a gente está falando de você, não de mim? É você quem fica seduzindo todas as garotas e ainda depois as usa sem piedade alguma. – rebati
–Então eu digo que você não é muito diferente de mim.
–Ficou doido?
–Pelo jeito não fui só eu que te dei um presente de boas vindas, não foi? – falou sarcástico
– Do que você está falando?
– Eu vi você e o Eric na lanchonete, vocês tinham um encontro marcado não era?! E aqueles seus patins novos escrito: “E ♥ J” nas lâminas. Vocês estão juntos não estão? Por que mentiu para mim?
–Aquilo foi um encontro entre amigos, até a Marie estava com a gente. E aqueles patins novos foram dados pela minha melhor amiga chamada Emily, que ainda mora no Brasil. Os ganhei na minha despedida. É uma forma de tê-la mais perto de mim.
Ele virou o rosto envergonhado e disse:
–Na quadra, o Alan começou a te elogiar com palavras de baixo calão e ainda disse que você já estava no papo – ele deu um soco na volante - Eu não suportei escutar ele falando assim de você e insinuando coisas horríveis. – ele socou novamente o volante fazendo com que a buzina soasse.
–Que idiota!! Quem ele acha que é pra falar isso? – disse colocando a mão na testa – Não acredito que você acreditou nele. Você acha mesmo que eu ficaria com ele? Que eu sou mais uma dessas? – perguntei furiosa.
–Não...- ele suspirou – Mas o sangue ferveu na hora e não consegui raciocinar direito. Precisava fazer algo, não ia escutar aquilo calado. – ele disse olhando para mim de uma forma sincera e calorosa.
–Tudo bem... mas larga de ser bobo de cair na conversa desses idiotas. Só por que sou uma latina e ainda brasileira, eles já pensam besteira. – revirei os olhos – Vem, entre em casa... deixa eu cuidar desses machucados antes que fiquem piores.
Dei a volta no carro, abri a sua porta e puxei-o pelas mãos até a minha casa. Fui até a cozinha, peguei uma bolsa de gelo e coloquei no galo que ele tinha na testa. Fomos até o meu quarto e fiquei procurando algum remédio, para passar nas feridas, e a minha maletinha de curativos. Justin estava sentado na minha cama, enquanto procurava eu conversava com ele para que não dormisse afinal ele levou vários socos na cabeça.
Peguei as coisas que iria utilizar e me sentei ao seu lado na cama. Reparei que haviam hematomas nos braços.
–Justin, tira a sua camiseta? – propus corada de vergonha.
–Pra que? –ele perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
–Não pense besteira. Só acho que devem ter mais hematomas no seu corpo também.
– Só a camiseta ou eu também tiro as calças? – perguntou rindo debochado.
–Quer saber... fica assim mesmo. Depois você se vira na sua casa.
–Calma gata... é por que você tinha falado que poderia ter mais machucados no corpo, por isso que eu perguntei. – ele levantou as mãos para o alto.
–Mas deix... – não consegui terminar de falar, pois ele já havia tirado a camiseta.
O seu porte físico não era extraordinário, ele não era um cara musculoso. Na verdade ele era muito magro, mas tinha um abdômen e alguns músculos do peito, dos braços e das costa um tanto definidos. Ele não era o homem com o corpo mais escultural, mas também não deixava de ser muito atraente.
Passava o remédio, nos ferimentos, com o maior cuidado do mundo. Enquanto passava no canto do olho direito, na sua bochecha esquerda, no canto da boca, no seu peito, nos seus braços e nas suas costas, ele gemia baixinho. Mas não parava de me olhar, dava para perceber que seus olhos percorriam todo o meu rosto e parecia que ele analisava atentamente. Seu corpo cada vez mais se aproximava do meu, só pude reparar quando eu termino os curativos e encaro os seus olhos que estavam a menos de cinco centímetros dos meus.
–Você me odeia mesmo? – ele me perguntou
–Não Justin... eu não te odeio.Só disse aquilo da boca pra fora – eu disse abrindo um pequeno sorriso.
Depois de dizer isso, eu vi ele dar o seu melhor sorriso.
– Obrigado por cuidar tão bem de mim.
–Você já cuidou de mim uma vez também e eu não podia te deixar ir embora assim.
–Mesmo assim obrigado.
Ele passou suas mãos pela minha cintura e colou nossos corpos. Já conseguia sentir seu hálito fresco e admirei seus lábios. Mesmo com o lábio inferior ferido, eles continuavam irresistíveis. Eram perfeitamente rosados e sua boca parecia que tinha sido desenhada pelo melhor artista do mundo. Seus cabelos pareciam até fios de ouro, mas com uma tonalidade ainda desconhecida. Cada fio caia perfeitamente para a lateral, quando ele os jogava de lado pareciam que até sabiam onde deveriam ficar. Cada vez mais eu chegava à conclusão que ele não poderia ser real e que eu iria acordar a qualquer momento no meu antigo quarto. Tudo seria um sonho e ele seria apenas um personagem criado pela minha imaginação.
Quando eu fecho os olhos, escuto o meu celular tocar. Acabamos nós afastando, eu vou até a minha escrivaninha e vejo que é uma mensagem da Emily : “Quero te ver. Entre mais tarde no skype para a gente conversar! Sinto muito a sua falta..Te amo ”. Tinha que ser ela para mandar isso logo agora.
–É... eu tenho que ir. – ele disse vestindo a camiseta e se levantando.
–Ok. Eu te acompanho até a porta.
Descemos a escada e saímos lá fora. Já estava escuro e chovia muito.
–Até amanhã gata. – ele disse e rapidamente me deu um beijo estalado na bochecha - Obrigado pelos curativos.
–Sem problemas... até amanhã! – disse com uma voz surpresa pelo beijo.
Eu fiquei, ainda do lado de fora, na entrada da casa, vendo ele caminhando até o seu carro.
–HEY JUS!!! – gritei de onde estava. Só depois eu notei que tinha o chamado de Jus.
– O QUE FOI? –ele gritou com um sorriso no rosto. Acho que ele também notou como o chamei.
–LEGAL E COMPANHEIRO. – eu gritei novamente.
–O QUE? – ele fez uma cara confusa.
–VOCÊ DISSE QUE SE TIVESSE MAIS ALGO QUE EU PENSASSE DE VOCÊ.. ERA PARA TE FALAR – sorri de canto e repeti – VOCÊ É LEGAL E COMPANHEIRO.
Ele assentiu agradecido com a cabeça, deu um tchauzinho com mão esquerda e entrou dentro do carro. Me virei e entrei dentro de casa. Quando estava fechando a porta escuto o Justin gritar:
–ESPERA!!!
Quando vi , ele estava caminhando em minha direção.
–Você é doido? Está chovendo!Você pode ficar gripado – fui até o seu encontro.
–Não me importo, na verdade assim é ainda melhor.- ele segurou minhas mãos - Só precisava te dizer algo.
Já estávamos de frente um para o outro no meio da passarela do jardim da minha casa.
–Me fale amanhã, então!
–Não... isso é muito importante, não posso deixar para depois. – ele disse sorrindo
–O qu... – não consegui terminar de falar.
Seus lábios estavam colados nos meus. Ele me abraçava fortemente pela cintura e massageava meus cabelos com sua mão esquerda. Eu levei minha mão direita até o seu rosto e a esquerda eu depositei no seu braço. Apesar da chuva fria que caia junto com as minúsculas pedras de gelo, seu corpo, suas mãos e seus lábios eram quentes. A corrente elétrica que percorria o meu corpo com cada toque e seu gosto irresistível eram eletrizante. A sensação de estarmos ligados um ao outro era reconfortante, me sentia protegida e completa ao seu lado. Não sabia quanto tempo estávamos nos beijando, tinha perdido completamente a noção de tempo e espaço. Nada mais importava para mim, apenas que ele estivesse aqui comigo.
Por o ser humano, infelizmente, precisar de ar, tivemos que separar nossos lábios. Ofegante, eu continuei de olhos fechado e sorri. Ele colou sua testa na minha e ficamos abraçados. Mesmo não vendo o seu rosto, dava para sentir que ele também sorria.
–Você é mesmo única. – ele sussurrou
Sorri mais ainda por ter escutando aquilo, ainda mais vindo dele.
–E você é mesmo um louco. Já está todo machucado, só me resta você ficar gripado também. – disse finalmente abrindo os olhos e olhando no fundo dos seus.
– Já disse que não me importo. Contanto que você esteja aqui comigo, nada mais é importante.
– Jus... – ele me interrompeu novamente.
–Shhhh... não precisa falar nada! Até amanhã linda! – ele disse tocando meus lábios com o seu indicador direito.
Me deu um abraço forte e caloroso. Em seguida depositou um selinho em meus lábios. Ele se virou, entrou dentro do carro, sorriu para mim e foi embora. Fiquei sem reação, agora eu estava mais confusa do que antes. Mas de uma coisa eu pude ter certeza, ele era mesmo real e não uma criação da minha mente.
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