sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Destiny's Story - Capítulo 22




Minha barriga começou a roncar, quebrando totalmente o clima. Ele dele um riso fraco no meu pescoço que me fez ficar toda arrepiada e com vergonha ao mesmo tempo.
–Vamos comer algo? Não quero te deixar passando fome. – Justin disse me virando de frente para ele. – Se quer saber… eu também estou morrendo de fome.
Saímos rindo da fonte. Ele me ajudou a pular a parte de pedra e foi calçar seus sapatos, enquanto eu calçava os meus. Quando terminamos, ele veio ao meu encontro e seguimos até a saída do jardim. Ainda havia vários casais por ali. Mas o mais interessante do caminho para mim era a variedade de flores exóticas e perfeitas. Dentre toda aquelas luxuosas flores, a que me chamou mais atenção eram as tulipas. Tinham tulipas de todas as cores (rosa, branca, vermelha, amarela, roxa, negra, azul e até umas mistas, com as pétalas de uma cor e listas de outra). Aquilo tudo era encantador para mim, me sentia no meio de uma área campestre da Holanda e o meu traje só ajudava mais ainda a minha imaginação.
–O que você tanto olha nelas? – Justin perguntou me despertando dos meus pensamentos.
–São tão encantadoras. Parecem até taças feitas de cristal que estão cheias até a boca de alguma bebida importada. – eu disse tocando em suas pétalas. – Elas sempre continuam tão delicadas.
–Nunca pensei dessa forma – ele disse olhando atentamente para elas.
Chegamos até o salão, nós entramos de braços dados e alguns convidados continuavam olhando. Fomos até a mesa do buffet para nos servimos. Digamos que o cardápio era um tanto peculiar, nunca tinha visto comidas tão curiosas na minha vida. Definitivamente aquilo não iria satisfazer o meu apetite.
–O que é isso? – eu perguntei para o Justin enquanto cutucava as conchinhas com um talher.
–É escargot. – Justin respondeu logo atrás de mim.
–Mas é feito do que? – perguntei fazendo uma cara de nojo.
–São caracóis, Jú. – ele disse rindo
–Credo... que nojo. Quem come isso? – eu disse largando rapidamente a talher e dando um passo para trás. Coitado do Justin acabou levando uma pisada no pé.
–Vamos comer algo lá de fora. Naquelas tentas tem coisas mais gostosas. – ele disse tirando o prato da minha mão e me levando para fora do salão.
Caminhamos até uma tenta onde tinham comidas mais normais. Pedi uma maçã do amor e o Justin pediu um algodão doce enorme.
Nos sentamos em um banco e ficamos conversando bobeiras.
–E então como foi o seu primeiro beijo? – eu perguntei enquanto dava uma dentada na maçã.
–Por que essa pergunta logo agora?- ele me perguntou confuso.
–Só para ficar mais justo. Você leu o meu primeiro beijo no meu diário, então eu também tenho o direito de saber de como foi o seu. – eu disse sorrindo vitoriosa.
–Ok... – ele disse comendo um pedaço de algodão doce – Foi em um baile da escola, estava participando de uma aposta com meus amigos. Se beijasse alguma garota na festa eu ganharia dez dólares.
–É bem a sua cara mesmo – eu disse rindo – Mas não foi marcante? Coitada da menina… sendo vítima de uma aposta.
–Marcante foi, claro. Só que eu nem me lembro o nome dela. Apenas cheguei, dancei com ela e a beijei– ele disse recordando o momento. – Mas me diz uma coisa... você está gostando de morar aqui?
–Eu sinto falta do Brasil, mas tem pessoas aqui que me fazem feliz.
–Tipo... – ele disse para que eu completasse
–Tipo a Marie, você, o Ryan, o Chaz e até Mark que é o motorista do ônibus escolar.- eu disse rindo - O Eric também é legal, mas não entendo essa raiva dele.
–Está evidente que ele também gosta de você, Jú.- ele disse de cabeça baixa.
–Mas para mim ele é só um amigo. – eu disse pensativa. - Como assim “também”?
–Hmm… todos gostam de você. – ele disse encabulado. – Deixa eu dar uma mordida na sua maçã?
–Mas é o último pedaço. Você deveria ter pedido antes - eu disse rindo.
–Eu divido o algodão doce com você depois. Não vou agüentar comer tudo isso sozinho.
–Hmm... Ok! Esse algodão doce está com uma cara tentadora – eu disse rindo
Ficamos lá sentados, dividindo o algodão doce e analisado as pessoas ao nosso redor. Justin sabia de tudo da vida de todos, afinal ele nasceu aqui e essa cidade é pequenininha, todos se conhecem.
–Vamos dar mais uma caminhada? Ainda temos muita coisa para ver.
–Ok. Mas antes eu preciso de uma coisa. – eu disse o puxando para trás de uma barraca.
–Jú, o que estamos fazendo aqui? – ele disse surpreso.
–Shh... não podem saber que estamos aqui. – eu disse baixinho.
Me virei de costas para ele, puxei todo o meu cabelo para o ombro esquerdo.
–Preciso que você me ajude com o espartilho. Não consigo mais respirar. – eu disse virando minha cabeça em sua direção para poder vê-lo. Ele estava com uma cara um tanto assustada. – Justin?! Você escutou o que eu disse?
–Es... escutei sim. – ele disse passando o seu olhar pelas minhas costas – Eu não sei mexer nisso. – seus olhos estavam arregalados.
–Só desfaça o laço e tente afrouxar um pouco o trançado.
Ele delicadamente desfez o laço e puxou levemente os cordões traçados do espartilho. Pude sentir o ar preencher os meus pulmões novamente.
–Obrigada Jus. Você salvou literalmente a minha vida – eu disse rindo – Agora é só dar um nó seguido de um laço.
–Está bem. – ele se aproximou um pouco mais e atou os cordões.
–Hey… o que vocês estão fazendo aí? – a dona da barraca perguntou para nós dois, nos dando um susto.
–Nada demais. – eu disse rapidamente.
–Já estávamos de saída – Justin disse me guiando para longe dali.
–Ainda bem que foi a moça da barraca. – eu disse aliviada – Se fosse a Marie, ela me mataria. De acordo com ela não, era para eu respirar. – eu disse dando um riso debochado -Justin, você está bem?
–Claro que estou – ele disse com a mesma expressão de antes.
–Então para de olhar desse jeito, está me assustando.
–Não é nada. Deve ser… sei lá, a gravata. – ele disse nervoso.
–Ok… eu te ajudo a desapertá-la. – eu disse me aproximando do seu colarinho. – Essas roupas são lindas, mas um tanto desconfortáveis, não? – disse rindo.
Justin estava estranho. Ele segurou na minha cintura enquanto eu cuidava da sua gravata e de repente se afastou de mim.
–Já está bom. Obrigado – ele disse de cabeça baixa.
–Ok – eu disse assustada – Você quer tomar alguma coisa? Ou quem sabe queira respirar um pouco. – perguntei preocupada. Será que eu fiz algo de errado?
–Eu estou bem. – ele disse olhando ao redor – Vamos para o outro lado do festival. Ainda não passamos por lá.
–Claro, vamos! – eu disse sorrindo, tentando amenizar o clima.
Ele retribuiu o sorriso e entrelaçou nossos braços. Fomos até um espaço que tinha uma passarela, bancos, árvores, um gazebo e um palco distante com uma banda tocando.
–Querida Julieta, me dá a honra de me acompanhar nessa dança? – Justin perguntou se curvando levemente e estendendo uma mão para mim.
–Jus… eu não sei dançar. – respondi encabulada.
–Sem problemas, eu te ensino.
Eu fiz um sinal negativo com a cabeça e ele riu fraco.
–Confie em mim. Tenho certeza que você vai gostar. A dança faz parte da tradição. – ele disse tentando me convencer.
–Ok. – disse pegando na sua mão - Eu prometi que ia tentar seguir a tradição, não é?! – respirei fundo e completei – Tenha paciência comigo, nunca dancei esse tipo de música.
–Pode deixar, vou cuidar bem de você. – ele disse dando um sorriso de canto.

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