Cheguei em casa e fui dormir. Precisava me desconectar um pouco desse mundo. Fiquei durante horas olhando para o teto, pensando em tudo o que aconteceu hoje. Eu sentia falta do Justin, mas a mágoa era maior. Sei que o que ele falou na enfermaria mexeu muito comigo, só que o que ele falou na gravação foi imperdoável. Ele se aproximou de mim com a intenção de me machucar, então tudo o que passamos juntos foi uma farsa. Será que ele mentiu também quando disse que se apaixonou por mim no dia em que me deu carona? Na verdade… será que ele se apaixonou mesmo por mim ou ele também faltou com a verdade quando disse que me amava? O que se passou na enfermaria foi tudo encenação? Minha cabeça estava totalmente confusa, eu não sabia mais em que acreditar. Apenas tenho certeza de uma coisa, para não me machucar mais ainda, eu deveria me afastar dele e aprender a viver sem seus olhos, o seu toque, seu cheiro e seu sorriso.
–AAAA… Por que eu não consigo parar de pensar nele? – disse nervosa enquanto enfiava minha cabeça debaixo do travesseiro, disposta a dormir e esquecer ele de uma vez por todas.
Acordei escutando vozes na sala. Vou até a porta e escuto a minha mãe falar:
–Você veio! Pode entrar, a Julieta está no quarto dela. Suba a escada e vai logo ver uma porta branca com uns corações colados nela.
–Não quero incomodar, eu só queria saber se ela está melhor. – disse Justin.
OMG… o Justin estava na sala e minha mãe o convidou para subir.
Fui engatinhando pelo corredor, até chegar na grade da escada que dava para ver a entrada e a sala. Fiquei escondida lá, apenas observando a cena.
–Magina… - minha mãe disse com a intenção que ele completasse com seu nome.
–Justin, Senhora Monteiro. Me chamo Justin Drew Bieber.
–Então, Justin… a Julieta já deve ter acordado. Faz tempo que ela foi se deitar.
–Não sei se ela vai quere me ver – ele disse sem graça.
–Como? Você a ajudou hoje. Seria ingratidão se ela não te recebesse. – minha mãe disse indignada, pois confiava na educação que tinha me dado.
–Ingratidão. – repeti baixinho – Ele quem foi um ingrato. – disse raivosa.
–O que está fazendo aí? – minha irmã perguntou risonha enquanto via que eu estava de quatro no chão.
–Shhh! – disse para ela fazer silêncio. – Não podem saber que eu estou aqui.
–Quem? – ela disse olhando na mesma direção que eu também olhava. – Hmm… é aquele mesmo menino que veio aqui em casa uma vez. O que ele está fazendo aqui? – ela perguntou se divertindo com a situação.
–Veio me ver. A mamãe o convidou. – disse tentando prestar atenção na conversa que rolava lá embaixo.
–Por que você não vai lá vê-lo?
–Por que eu não quero. É que nós brigamos hoje.
–Larga de ser boba Jú. O menino veio te ver e você fica aí se escondendo? Vai lá e esquece essa briguinha. – ela disse olhando novamente para baixo – Certeza que ele gosta de você, então dê um chance para o coitado.
–Não foi uma briguinha, ok? Aconteceu uma coisa muito séria e eu não quero mais ter nenhum contato com ele – disse sem entrar em detalhes, afinal ninguém sabia de tudo entre nós dois. – E não… não vou dar uma chance para ele. Na verdade, ele não merece que ninguém sinta dó dele.
–Entendi… você já ficaram, não foi? – ela falou risonha.
–O que? – perguntei perplexa por ela ter descoberto parte da história e acabei sem querer batendo minha cabeça no suporte de madeira ao lado, fazendo o barulho do choque ecoar pela casa.
–Viu, ela já deve ter se levantado. Pode subir, Justin – minha mãe disse apontando para a escada.
–Está bem. Obrigado senhora Monteiro. – ele disse se dirigindo até a escada.
–Droga! – sussurrei enquanto me levantava e corria até o meu quarto.
Entrei dentro dele e me deitei na cama, fingindo dormir para ver se ele ia embora.
– A Jú está no quarto dela, acabou de acordar – escutei a voz da minha irmã informando ao Justin. Que dedo duro.
Escutei a porta se abrir e rapidamente coloquei os fones de ouvido, não queria escutar a voz dele. Ele entrou, fechou a porta e olhou para mim.
–Está se sentindo melhor? – perguntou enquanto se aproximava da minha cama.
Apenas levantei as duas sobrancelhas e fechei meus olhos fingindo que ele nem existia.
–Jú, precisamos conversar. – ele disse se sentando ao meu lado e tirou os fones do meu ouvido.
–Vai embora. Não quero te ver e nem te escutar – disse jogando meu travesseiro nele.
–Apenas escute o que eu tenho para falar. – ele disse carinhosamente e em seguida tomou fôlego. – Me perdoe se te machuquei, eu sei que fui um completo idiota. Mas saiba que eu ainda te amo.
Antes que ele continuasse a falar, eu peguei o controle remoto de cima do criado mudo e liguei o rádio, o deixando no último volume. Estava tocando a música E.T. da Katy Perry. Ele olhou para o rádio e depois voltou os seus olhos para mim, em seguida deu um sorriso contido ao perceber que era o cd que ele tinha me dado.
–Tudo bem, eu vou te deixar em paz. Depois nós conversamos quando estiver mais calma. Quero apenas que saiba que eu te amo e que estou machucado com a nossa separação. – ele disse tirando meu travesseiro de seu colo e o colocando ao meu lado.
Foi até a porta e se virou para me olhar novamente.
–Posso ao menos levar seu coração? – ele perguntou.
–Como? – perguntei confusa e raivosa por ele dizer isso de uma forma tão carinhosa.
–Um daqueles corações que está pregado na sua porta.
–Pra que você quer? – perguntei mais confusa.
–Para ter algo seu comigo.
–Não… não pode levar nada. – disse brava – Se não sabe cuidar então não merece ter.
–Jú… - ele ia falar, mas o interrompi.
–VAI EMBORA! – disse jogando várias almofadas em sua direção. – ME DEIXE DE UMA VEZ!
–Não quero te perder – ele falou e finalmente foi embora.
Comecei a chorar desesperadamente, dando socos no colchão de tanta raiva que eu sentia de tudo isso que eu estava passando. Eu nunca deveria ter vindo para o Canadá, eu nunca deveria ter conhecido ele e eu nunca deveria se quer ter me apaixonado por ele. O pior era que aquela música preenchia os quatro cantos do meu quarto fazendo meu coração se partir mais ainda. Parecia que eu estava se deteriorado por dentro e a dor que sentia era imensa.
"Kiss me, K-K-Kiss me
Infect me with your love
And feel me with your poison
Take me, T-T-Take me
Wanna be a victim,
Ready for abduction
Boy, you're an alien,
Your touch are foreign
It's supernatural,
Extraterrestrial”
Escuto alguém bater na porta e em seguida minha irmã grita:
–O jantar está pronto.
–Não quero comer – gritei de volta.
–Você não vai ficar troncada aí para sempre, né? – ele disse e foi embora.
Me levantei e fui até o banheiro. Lavei meu rosto e resolvi descer. Saio do quarto e fecho a minha porta, quando olho para ela vejo que tinha um papel preso com um coração desenhado em outra folinha, embaixo dele.
Tive que levar seu coração comigo, mas relaxa… no lugar dele eu deixei o meu.
Com amor, Justin.
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