sábado, 18 de fevereiro de 2012

Destiny's Story - Capítulo 48




Bateu o sino e eu fui para a aula de biologia, precisava conversar com o professor.
–Não vai dar senhorita Monteiro. – ele falou arrumando a papelada em cima de sua mesa.
–Mas por quê? – perguntei de braços cruzados.
–Não tem como formular outro par para você. Isso já ficou estabelecido para o ano inteiro e as notas são em conjunto. Não é porque você e seu namorado brigaram que eu vou interferir na minha aula.
–Ex! – disse corrigindo – Na verdade nem foi bem um namoro… quer saber nem eu sei o que foi aquilo. O caso é que eu não posso ser parceira dele, Senhor Davis.
–Se você me der um motivo convincente e verdadeiro, eu até posso ajudá-la. Caso ao contrário… NÃO!
Olhei ao redor pensando em alguma justificativa.
–Ahá… ai está uma! Ele não veio à aula hoje e isso mostra o quando descompromissado ele é. Eu não quero tirar nota baixa por causa de uma terceira pessoa. – disse apontando para a minha mesa vaga e a dos restantes, cheias de alunos.
–Bom, sendo assim… - ele foi interrompido por um barulho.
–Desculpe o atraso Senhor Davis. – Justin disse batendo a porta.
–Senhorita Monteiro… aí está o seu parceiro. Viu, ele apareceu então prova que a sua justificativa não foi válida. – ele disse apontando para Justin – Agora queriam se sentar em seus devidos lugares.
–Mas… - fui interrompida.
–Vamos logo, você com certeza não quer arrumar confusão com o Senhor Davis. – Justin disse me arrastando até nossa mesa.
–Não toque em mim – eu disse me afastando dele e andando sozinha.
A aula inteira foi entediante. Eu não falava com o Justin por mais que ele comentasse coisas da matéria comigo.
–Você não vai mesmo falar comigo? – ele perguntou me olhando com a sobrancelha arqueada.
Simplesmente dei de ombros e comecei a cutucar o tecido muscular com o bisturi.
–Eu preciso saber o que tenho que escrever nessas observações.
Dei de ombros novamente.
–Afinal você quer ou não tirar nota nisso? Você sabe muito bem que comigo sozinho isso não vai acontecer. – ele falou insistente – Eu preciso da sua ajuda Julieta.
Chutei a bancada, arranquei um pedaço de papel, escrevi algumas observações nele e o coloquei no meio da mesa, entre nós dois. Justin olhou o papel, o pegou e leu.
–Só porque digo que sinto falta da sua voz, você agora resolveu parar de falar? – ele perguntou rindo fraco – enquanto passava para a folha oficial tudo o que eu escrevi.
Fiquei quieta e continuei mexendo no músculo.
–E na próxima observação? O que eu coloco? – ele disse me entregando o papel.
Revirei os olhos e escrevi, o deixando entre nós novamente.
–“Se vira”?! – ele leu em voz alta - Você está falando sério mesmo? – disse sem paciência.
Dei de ombros pela terceira vez.
–QUER SABER… CHEGA! EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO. – Justin gritou enquanto jogava o lápis, que estava em suas mãos, fortemente na mesa.
Ignorei sua irritabilidade e dei de ombros novamente.
–PÁRE DE LEVATAR OS OMBROS E DE RESPONDER POR BILHETES! – ele falou me levantado da cadeira com as mãos nos meus braços. – CHEGA DE ME IGNORAR. – berrou olhando em meus olhos.
–O QUE QUER QUE EU FAÇA? QUER QUE EU SIMPLESMENTE FINJA QUE NADA ACONTECEU? – gritei sarcástica.
–Senhor Bieber e Senhorita Monteiro, sentem-se agora mesmo. – o professor disse nos repreendendo.
–NOSSA…FINALMENTE RESOLVEU FALAR COMIGO. – Justin disse sacudindo os meus ombros.
–JÁ FALEI PARA TIRAR AS MÃOS DE MIM – disse me afastando brutamente dele.
–NÃO! – ele disse se aproximando novamente de mim e me puxando pela cintura.
–VOCÊ ME DÁ NOJO, BIEBER – disse cuspindo em seu rosto.
–CHEGA! – ele disse me prendendo na bancada.
–SÓ PORQUE EU NÃO TE QUERO VOCÊ VEM ME EXPOR DESSE JEITO, NÃO É MESMO? SÓ POR QUE EU NÃO SOU COMO AS OUTRAS GAROTAS FÚTEIS DESSA ESCOLA – disse tentando me soltar de seus braços.
–Parem os dois agora mesmo ou eu vou ser obrigado a mandá-los para fora da sala – o professor disse irritado.
–VOCÊ TEM RAZÃO! VOCÊ É NÃO É IGUAL ÀS OUTRAS MENINAS… VOCÊ É LOUCA.
–PELO MENOS NÃO SOU PSICOPATA! – disse desafiadora.
–AAAA VOCÊ ME DEIXA DOIDO – ele berrou se afastando de mim e colocando suas mãos na cabeça.
–Como se você já não fosse. – prenuncie brava.
–VOCÊ É IRRITANTE! – ele disse gritando.
–E VOCÊ É UM IDIOTA! – disse com tanta raiva que finquei o bisturi por completo no músculo.
–VOCÊ É BIPOLAR!
–VOCÊ TEM PROBLEMA MENTAL – disse o encarando
–VOCÊ É MUITO ORGULHOSA!
–VOCÊ É UM GALINHA!
–VOCÊ SEMPRE TEM QUE ESTAR CERTA EM TUDO!
–VOCÊ É O CARA MAIS MENTIROSO QUE EU CONHEÇO!
–VOCÊ É… - ele disse respirando fundo e fechou os olhos –…a mulher da minha vida!
–Justin! – Cloe sussurrou baixinho, surpresa com a fala dele.
Ouvir aquilo fez meu coração transbordar e minha pulsação aumentar. Desviei meus olhos dele e arranquei o bisturi do músculo.
–E você é um excelente ator – disse triste, com lágrimas nos olhos e joguei o músculo em seu peito, fazendo com que manchasse seu jaleco branco de sangue e caísse no chão.
Todos da sala ficaram surpresos, cochichavam e uns até riam.
–Você pode achar que tudo o que eu falo é mentira, mas isso é a mais pura verdade. – Justin disse abrindo os olhos lentamente.
–Não tem como acreditar em você. – disse chorosa – Não mais.
Uma lembrança tomou conta da minha mente, me deixando ainda mais frágil.
Depois de tomar café da manhã, nós tiramos mais algumas fotos e ficamos relembrando a viagem. Eu caminhei até a porta de vidro e fiquei olhando para fora.
–O que foi? – ele perguntou me abraçando por trás.
–Só não queria que tudo isso acabasse. – disse acariciando seu rosto que estava apoiado no meu ombro.
–E não vai acabar, apenas terá uma continuação. – ele disse beijando minha nuca.
–É que não parece ser real.
–Mas é real, confie em mim. – ele disse carinhosamente.
–Eu confio. – disse de olhos fechados.
–Aquela confiança que eu depositei em você, desapareceu. Foi você quem fez com que ela não existisse mais. – disse de cabeça baixa.
–Jú… eu… - Justin não sabia o que falar ele abria e fechava a boca várias vezes.
–Já terminaram? – Senhor Davis perguntou irritado – Agora saiam da sala e vão direto para a diretoria. Não tolero atitudes como essa em minhas aulas. – ele disse abrindo a porta para que saíssemos – VÃO!
Peguei minhas coisas e saí da sala de cabeça baixa, tentando esconder as minhas lágrimas.

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