Acordei mais cedo do que o normal, eram 5 horas da manhã. Fiquei rolando na cama até tomar coragem para levantar. Vejo uma sombra perto da janela e assustava viro meu rosto naquela direção. Era apenas o boneco de boxer com peruca que o Justin tinha mandado entregar aqui em casa, alguém o trouxe para cá. Levantei-me e joguei o lençol em cima dele, a fim escondê-lo para poder evitar parar de pensar no Justin. Tomei um banho, escovei os dentes e me troquei.
–Já está de pé? – minha mãe perguntou abrindo a porta do meu quarto.
–Já... essa não foi uma noite muito boa. – disse cabisbaixa.
Ela entrou e olhou para o boneco coberto pelo lençol.
–Era aquele seu amigo quem veio ontem, não era?
Dei de ombros e me sentei na cama.
–Eu não sou boba. – ela disse se sentando ao meu lado – Sei que você está apaixonada por ele.
–É tão explicito assim? – perguntei.
–É só olhar nos seus olhos. – ela disse enquanto passava as mãos em meus cabelos – Vocês brigaram?
–É... já faz um bom tempo que estamos distantes.
–Porque vocês não tentam conversar melhor. – ela aconselhou carinhosamente.
–É mais complicado do que parece. – disse lhe olhando – Eu terminei de uma vez por todas come ele. Tenho certeza que ele nunca mais vai querer nem olhar na minha cara depois do que eu disse.
–E você está feliz com isso?
–Não, mas é o correto.
–Você está sorrindo por acaso? Então como você tem tanta certeza que é mesmo o correto? – ela disse dando um beijo em minha testa e se levantando – Bom... tenho que ir para o clube. Cuida-se filha.
Assim que ela saiu eu peguei minha bolsa, uns livros e fui andando até a cafeteria. Precisava de cafeína para poder despertar e enxergar melhor o mundo em que eu vivia. Comprei um cappuccino e caminhei até o ponto do ônibus.
Assim que cheguei à escola, eu fui direto até o meu armário.
–Nunca mais faça isso. – Marie berrou no meu ouvido assim que eu consegui abrir a porta do armário.
–Aaa... oi Marie. – disse baixinho.
–“Oi Marie” – ela me imitou – O que deu em você por acaso? Sumiu do nada e só deixou aquele bilhete chulo.
–Eu resolvi voltar mais cedo, só isso. – disse virando meu rosto em sua direção.
–O que foi? - ela disse analisando minha expressão – Aconteceu alguma coisa? Porque você está assim?
–Eu sou mesmo uma idiota. – disse lhe abraçando forte e sentindo meus olhos lacrimejarem.
–Amiga... – ela disse retribuindo o abraço – É o Justin, não é?
–Nós ficamos juntos na noite do jantar. Eu não consegui evitar.
–O que você sente por ele é maior do que eu pensava. – ela disse acariciando minha cabeça.
–Ontem ele apareceu lá em casa e eu disse que ele não era nada para mim e que o que aconteceu na viagem não foi importante.
–Aaa... Jú. – ela me abraçou mais forte ainda.
Assim que levanto o meu rosto eu deparo com o Justin e a Cloe conversando bem próximos um do outro. Sai dos braços da Marie e fiquei olhando espantada para aquilo.
–O que foi? – ela perguntou e olhou na mesma direção.
–Acho que para ele foi menos importante ainda. – disse tentando conter as lágrimas.
O Justin riu de algo que eles falavam e sem querer seus olhos encontraram os meus. Ele desfez o sorriso e franziu a testa, parecia querer decifrar minha expressão e o meu estado. Desviei meus olhos dos dele, fechei o armário e saí andando até a sala de aula. Preferia mil vezes ter que ficar sentada esperando a aula começar do que ficar vendo aqueles dois juntos depois de tudo.
O intervalo chegou e eu saí calmamente da sala.
–Você precisa comer algo. Parece fraca. – Marie disse me entregando um suco de carambola.
–Eu estou bem, obrigada. – agradeci e dei um gole.
–Afinal o que aconteceu? – Chaz perguntou assim que se sentou na nossa mesa.
–O que? – Marie perguntou confusa.
–O JB voltou a ser o que era antes do nada e a Julieta está mais quieta do que o normal. – disse ele.
–Como assim ele voltou a ser o mesmo? – perguntei rapidamente.
–O JB está cercado de líderes de torcida e voltou a rir, a seduzir e brincar. – ele disse apontando para a mesa do time de basquete.
Olhei para lá e vi mais do que o Chaz disse, para mim parecia que eu nem existia e que nada tinha acontecido.
–Não acha melhor você voltar para a sua casa? – Marie perguntou preocupada analisando meu rosto.
–Não eu estou ótima. – disse tomando mais um gole do suco e me levantando da mesa. – Hey Alan. – acenei para aquele menino do time que brigou uma vez com o Justin na aula de educação física.
–Oi. – ele disse confuso assim que se aproximou da nossa mesa.
–Não quer se sentar conosco? – disse dano espaço para ele se sentar ao meu lado – Queria saber como está o treino de basquete. Está pronto para marcar várias cestas?
Ele sorriu e sentou no lugar indicado.
–Nasci pronto, gata. – ele disse e olhou para o meu suco. – É do que?
–Carambola. – respondi e arrastei a latinha até ele – Quer?
Ele assentiu e tomou um pouco. Dava para ver a cara do Justin nos olhando atentamente.
–Nunca achei que esse suco seria bom. – Alan disse rindo.
Sorri de volta e voltamos a conversar. O sino tocou e ele me acompanhou até aminha sala.
–Boa sorte em agüentar uma hora inteirinha na aula do senhor Senhor Davis. – Alan falou e entregou o meu livro de biologia.
–Obrigada. – agradeci sorridente e entrei na sala.
O Justin já estava vestido com seu jaleco e a Cloe estava apoiada na nossa mesa falando com ele. Ignorei os dois e joguei meu livro com força na mesa, peguei meu jaleco e vesti tranquilamente.
–Vai ser divertido. – Cloe disse sorrindo e indo até a sua mesa ao perceber que o professor já havia chegado.
Sentei-me em meu lugar e abri o livro na página indicado no quadro. Olhei para o cérebro dentro de um refratário e joguei as luvas no peito no Justin.
–Hoje é a sua vez. – disse sem ao menos olhá-lo.
Ele pegou as luvas e as vestiu. Começamos a analisarmos em silêncio.
–Córtex Motor e Pré-Motor. – ele disse.
Escrevi na prancheta e fiz mais umas observações.
–E o Alan? – ele perguntou com cuidado.
Dei de ombros e fiquei quieta ainda anotando.
–Você não vai começar de novo, né? – ele perguntou se lembrando na nossa última briga na aula de biologia.
Respirei fundo, larguei a caneta e disse:
–O que você quer saber?
–Não sabia que vocês eram amigos.
–Pois é... mas é impossível não ser amiga de um cara como ele. – disse cruzando os braços.
–Um cara como ele? – Justin perguntou confuso.
–Ele é muito legal, divertido e também é um amor de pessoa. O Alan me trata muito bem. – disse.
–É... a Cloe também é um amor de pessoa. – ele disse usando as mesmas palavras que eu.
–Isso não é novidade para você. – disse e voltei a escrever na prancheta. – E o tato?
–Tato? – ele perguntou sem entender nada.
–Em que Córtex é? – perguntei com o intuito de voltar à aula.
–Hmm... – ele disse olhando para o cérebro e analisando-o.
As aulas foram mais tranqüilas, mas o clima era tenso, principalmente quando tivemos que sair da aula de sociologia para irmos até o grupo de teatro.
–Bom... a história vai ser sobre um romance entre um filho do maior nobre da cidade e uma cigana que é dançarina de um bar. O amor deles se torna impossível por serem de castas e raças diferentes. Ele é prometido em casamento para outra mulher e ela é livre e leva uma vida sem regras. – O menino quem escreveu a história começou a explicar e logo alguém entregou os roteiros para cada um. Eu estava mais é dormindo ao invés de prestar atenção.
–O que acha Julieta? – a professora de teatro disse me fazendo despertar.
–Como é? – perguntei sem o menor ânimo.
–Você ser a cigana. – ela repetiu sorrindo.
–Cigana? – perguntei sem entender nada, pois não tinha absorvido o que o menino tinha dito anteriormente.
–É... o par do Justin. – ela explicou alegremente. – Você seria perfeita.
–Par? – repeti e me levantei espantada – Não... eu não sei atuar então acho melhor ficar encarregada de algo menor e mais oculto.
–Mas você é a única latina do colégio inteiro, se encaixaria perfeitamente na personagem. – ela disse tentando me convencer.
–É que vai ser mais seguro se eu tiver um papel menor, assim não corre o risco de eu estragar a peça inteira. – disse rindo fraco.
–Aaa... vamos Julieta. Esse papel foi perfeito para você. – o menino que escreveu disse.
–Para ela? – Justin perguntou mais assustado ainda.
–Quando soube que você estaria no grupo de teatro eu achei que seria legal fazer uma história diferente esse ano, mais irreverente. Nada melhor que um toque latino. – ele disse com os olhos pidões. – O que me diz?
–Ela aceita. – a professora disse impaciente.
–Aceito? – perguntei abobada.
–Aceita. – ela me fitou seriamente e prossegui – Quem vai ser a noiva prometida do Justin?
–Que tal a Cloe. – uma amiguinha dela disse e logo a Cloe entrou na reunião do grupo de teatro.
–Seu nome não está na lista. – disse o escritor.
–Desculpe, é que eu me interessei bastante em participar da peça nesse ano, mas não tive tempo para me inscrever.
–A Cloe? – a professora disse pensativa – É... acho que vai dar certo.
Ótimo... até em uma história fictícia nós formaríamos um triangulo amoroso.
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