Atravessei os corredores correndo a fim de chegar logo na diretoria e me afastar dos passos que o Justin dava ao me prosseguir. Bati na porta, a minha parada foi o suficiente para ele me alcançar.
–Jú, olha para mim! – ele disse me virando de frente e levantando o meu queixo. – Você está chorando? – perguntou decepcionado com ele mesmo.
Olhei dentro de seus olhos e senti uma dor percorrer o meu corpo.
–Quem está chorando? – a diretora perguntou abrindo a porta.
Saí dos braços de Justin e fiquei de frente para ela
–Senhorita Monteiro, o que está acontecendo? – ela perguntou preocupada – Senhor Bieber, porque você está sangrando? – disse olhando para o seu avental.
–O professor Davis nos expulsou da aula – disse envergonhada enquanto tentava limpar as minhas lágrimas.
–Entrem. – ela disse brava. – O que vocês aprontaram?
–Nos desentendemos durante a aula. – Justin respondeu enquanto nos sentávamos de frente para a diretora.
–Como assim? – ela perguntou surpresa – É corriqueiro você aparecer por aqui, mas a Senhorita Monteiro?! Me expliquem direito.
–A verdade é que nós não nos damos muito bem. Eu até tentei trocar de parceiro, mas o Senhor Davis não permitiu.
–O problema é que ela me ignora, não me responde e nem quer olha para mim… aí fica difícil fazer as análises.
–Eu te ignoro porque você merece – disse brava.
– Senhor Bieber… foi você quem enviou aquela gravação constrangedora para a rádio escolar? – a diretora perguntou deduzindo o motivo do nosso desentendimento.
–NÃO! – ele respondeu revoltado – Claro que não.
–Estamos investigando isso e o seu histórico escolar não ajuda em nada, senhor Bieber. Vou ter que convocar os seus pais para virem aqui.
–O que? Mas eu disse que não tenho nada haver com isso. – ele disse ainda mais revoltado.
–Depois discutimos isso. O caso é… porque vocês estavam brigando? Porque a senhorita Monteiro está chorando e porque você está sangrando?
–Ele não está sangrando… eu apenas joguei o tecido muscular, que a gente estava analisando na aula, em cima dele. – disse olhando para o jaleco manchado.
– Isso não significa que eu não esteja sangrando. Pelo menos não por causa disso. – Justin disse me olhando triste.
–Senhorita Monteiro! – a diretora disse me repreendendo e fazendo com que eu despertasse.
–Ele mereceu… começou a gritar comigo, me machucou quando me puxava e não deixava eu me afastar dele.
–É porque ela não coopera se ao menos parasse de agir desse jeito. Aaa… ela me irrita. – ele rebateu.
–Então se afaste de mim, porque eu quero é distância de você. – disse cruzando os braços.
–Parem os dois. – a diretora disse irritada – Sei que estão brigados, mas eu não posso permitir essas atitudes dentro da escola. – ela respirou fundo e concluiu. – Bom… vocês devem aprender a tolerarem a presença um do outro.
–Nem vêm… eu na vou pedir desculpas sendo que eu tive motivos suficientes de ter feito aquilo. – disse me recusando.
–Não estou falando de uma simples desculpa, senhorita Monteiro. Estou falando de convivência. – ela disse pegando uns papéis dentro da gaveta. – O Senhor Bieber sofreu um relevante progresso nos últimos tempos em relação as suas notas… e a mãe dele me confirmou que estavam estudando juntos.
–É, mas isso foi antes.- eu disse.
–E agora você, Senhorita Monteiro, se tornou oficialmente a tutora do senhor Bieber. Assim vocês vão aprender a conviverem melhor e ajudar nas notas dele para que possa continuar no time de basquete.
–Eu não vou se a tutora dele, ele que arrume outra. – disse indignada.
–Não tem a alternativa de recusar isso, Julieta. Afinal esse é o castigo de vocês, até quando eu decidi que acabou.
–Não tem como levar uma suspensão? – perguntei aflita.
–Não! Se vocês quiserem podem usar a biblioteca para estudarem juntos. Agora podem se retirar. – ela disse apontando para a porta.
Eu saí bufando até a próxima aula e o Justin foi se trocar. Na aula de educação física eu fiquei a maioria do tempo sentada no banco de reservas. Até que me chamaram para jogar vôlei. Eu ficava perambulando pela quadra e só em casos extremamente necessários dava um toque na bola. Quando era a minha vez de sacar, eu acabei lançando ela muito forte e a bola foi parar na outra quadra.
–Ótimo, agora a lesada perdeu a bola. – Cloe disse entediada.
Ignorei seu comentário e caminhei até a outra quadra para buscá-la. Quando cheguei pude perceber que era a quadra de basquete e tinha um monte de meninos reunidos no meio. Caminhei até eles enquanto perguntava:
–Vocês viram uma bola de vôlei passar por aqui?
Ninguém me respondeu, então resolvi entrar no meio da rodinha.
–Hey… licença! Vocês viram uma bola de vôlei?
–Olha só quem está aqui. – um menino disse olhando para mim – A namoradinha.
–Porque você não vai procurar uma. Aaa é né… ninguém te quer – disse sarcástica – Vê se não enche – o empurrei e dei mais uns passos.
Vejo o Ryan debruçado sobre um corpo.
–JB! Você está bem? Levanta cara. – ele disse sacudindo-o.
–JUSTIN! – corri até ele e me ajoelhei ao seu lado. – OMG… o que aconteceu com ele?
–Uma bola o acertou e ele acabou caindo com tudo no chão, acho que bateu a cabeça. – Chaz me respondeu.
–Justin… olha para mim. – disse dando umas batidinhas em seu rosto tentando reanimá-lo. – Alguém chama o treinador. – pedi desesperada.
Ryan saiu correndo para avisá-lo.
–Droga, a cabeça dele está sangrando. – disse passando a mão em sua nuca e vendo que escorria sangue. Tirei o casaco amarrado na minha cintura e tentei estancar o sangramento. – Jus… por favor, acorde.
–Jú, ele está desacordado não acha melhor o levarmos até a enfermaria. – Chaz sugeriu.
–Não! É melhor não mexermos nele – disse – Vai Jus… olhe para mim.
Depois de alguns segundos ele foi abrindo os olhos devagarzinho e ficou me olhando.
–Finalmente. – disse aliviada enquanto acariciava a sua bochecha. – Jus, vocês está se sentindo bem?
–Jú! – ele disse baixinho e tentou se levantar.
–Shhh… fica paradinho. – disse o tentando impedir.
–O que está acontecendo? Eu estou sonhando? – ele perguntou confuso.
Apenas ri da sua pergunta e do modo como perguntou seriamente. Ele abriu um sorriso e continuou a me olhar. Sinto nossos lábios se tocarem e ele me beijar calmamente. Como sentia falta dele, dos seus beijos e dos seus carinhos. Mas a realidade era outra e eu não poderia ficar com ele. Separei nossos lábios, chateada.
–Não faz isso. – disse o empurrando e dando um tapa em seu rosto. - Seus amigos já entenderam que eu fui uma vítima, então eu te imploro… pare de me usar desse jeito.
O treinador chegou junto com uns atendentes da enfermaria e caminhou até nós.
–Senhorita Monteiro, o que você está fazendo? Ele já esta sangrando, quer deixar o time sem capitão?
Arregalei meus olhos e me senti totalmente culpada por ter o acertado bem quando ele já estava ferido. Olhei para o Justin, tirei seu cabelo da testa e acariciei o local onde eu dei o tapa.
–Hm… - disse constrangida pelo meu erro – Melhore logo.
Me afastei mesmo que ele tentando me puxar de volta pela mão e saí correndo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário