Demorou um pouco, mas logo chegamos ao nosso destino. Nos hospedamos em um tipo de condomínio. Eram várias casinhas próprias para turistas e tinha uma casa central onde controlava as demais. Como se fosse uma colônia de férias.
O bom era que cada um tinha seu devido quarto, assim ninguém precisava dormir com ninguém, e isso era um alívio para mim. Levei a mala até o meu quarto e fiquei impressionada com o cômodo.
Coloquei-a em frente à cama e fui ao banheiro. Liguei a torneira e joguei água no rosto e na nuca. A imagem de nós dois dormindo juntos na cama do motel passou como um flash pela minha mente.
–Jú?! – escuto alguém bater na porta.
–Pode entrar. – disse saindo do banheiro secando meu rosto com a toalha. – Oi Chaz.
–Oi. – ele disse entrando e olhando ao redor – Jú, você sabe o que o Justin tem?
–Por quê? Ele está se sentindo mal? – perguntei preocupada.
– É que ele está estranho e machucado.
–Machucado?
–Não sei como ele se machucou, só sei que ele está se queixando de dor. – o Chaz me olhou risonho – Foi você Jú? Você bateu nele?
–Não... claro que não. – respondi de imediato – Onde ele está?
–No quarto dele.
Joguei a toalha na cama e saí andando com o Chaz me seguindo. Bati na porta do quarto indicado por ele e ninguém respondeu
–Entra você primeiro Chaz. – disse o empurrando.
–Porque eu? Vai você.
–Ele pode muito bem não estar vestido.
–Que diferença isso vai fazer para você. – Chaz disse rindo.
–Entra Chaz! – disse empurrando ele mais forte.
Ele entrou e disse:
–Oi galera. E aí JB, como você está?
–Reclamando de tudo. – Ryan disse saindo do banheiro.
–Você diz isso porque não é você. – Justin disse e em seguida se queixou de dor.
–Justin?! – disse entrando aos poucos no quarto.
–Jú! – ele disse tentando se levantar da cama, mas pelo jeito estava mesmo todo dolorido.
–Obrigada por me deixar lá fora esperando, Chaz. – disse lhe dando um tapinha.
–Estava me certificando que ele estava devidamente vestido. – ele disse rindo – E está.
–Deu para perceber. – disse revirando os olhos.
O Justin nos olhou confuso e apoiou as costas na cabeceira da cama, ficando sentado com as pernas esticadas.
–O Chaz me falou que você não estava bem. – disse olhando sem graça para ele.
–É mentira dele... eu estou bem. – Justin disse fuzilando o Chaz.
–Bem? – Ryan perguntou surpreso – Então porque fica parecendo uma velhinha e reclama de tudo?
O Justin dessa vez repreendeu o Ryan com seu olhar.
–O que você está sentindo? – disse me aproximando mais da cama.
–Não é nada demais. – ele respondeu.
–As costas dele estão doloridas. – Ryan disse a verdade.
–Foi depois da briga, não foi? - perguntei ao Justin.
–Briga?! Mas você disse que não bateu nele. – Chaz disse confuso.
–E não bati. Foi um cara do bar.
–Bar? - Ryan perguntou também não entendendo nada.
–É... quando nos perdemos a gente parou em um bar e eu fui lá pedir informações.
–Por mais que eu dissesse para ela não ir. – Justin disse me interrompendo. - Aí teve um bêbado que se aproximou dela, demais até.
–Como ele gosta de sempre pagar um de super herói... acabou brigando com o cara. – disse respondendo a altura.
–Você queria o que? Que eu deixasse ele te agarrar? – Justin falou irritado e tentou se levantar da cama. – AI!
–Justin! – disse me sentando ao seu lado. – Não se mexa.
–Está doendo. – Justin disse baixinho.
–Deixe-me ver. – disse erguendo sua camiseta.
–Hey! – Ryan disse rindo – Estamos aqui.
–Sou um homem de família. Vão com calma. – Chaz disse se juntando a ele.
–Vocês dois fiquem quietos e venham aqui me ajudar a tirar a camiseta dele.
Os dois seguraram o Justin e eu fui tirando sua camiseta com todo cuidado.
–Chaz, vai ao meu quarto, pega a minha necessaire e traz ela aqui. E você Ryan, traga uma bolsa de água quente. – pedi.
–O que você vai fazer? – Justin perguntou confuso.
–Te ajudar. – disse o ajudando a se mover.
–Não precisa. Você não quer que eu fique tão perto. – ele disse se afastando.
–Larga de ser bobo. Sou eu que estou aqui com você, por vontade própria. – disse me aproximando. – Me deixa ver as suas costas.
Ele se virou e pude ver que havia vários hematomas. Apertei de leve uma das manchas e ele se esquivou.
–Dói.
–Vai passar. – disse acariciando seu rosto.
–Pronto... está aqui. – Chaz apareceu com a minha necessaire.
Tirei um óleo corporal lá de dentro e disse:
–Deite de barriga para baixo.
–Como é? – Justin perguntou confuso.
–De bruços. Ajuda ele Chaz.
Depois de finalmente posicioná-lo, eu subi em cima dele e passei um pouco do óleo corporal em minhas mãos.
–Pode doer um pouco. – disse e em seguida comecei a massagear suas costas.- Mas é para o seu bem.
–PÁRA! ISSO DÓI! – ele gritou, fazendo o Chaz rir.
–Fica quieto que dói menos. – disse ainda massageando.
–O que você está fazendo? – Marie perguntou entrando no quarto com duas bolsas de água quente nas mãos e com o Ryan ao seu lado.
–Ajudando o velhinho reclamão.- respondi.
–Você quer é matar ele. – Ryan disse rindo juntamente com o Chaz.
–Nossa, mas ele está todo roxo. – Marie disse surpresa ao olhar para suas costas.
–É... – disse e deslizei meu polegar por toda a sua coluna.
–AAAAAAAAIIII! – Justin gritou de dor.
–Acho que a sua coluna está toda inflamada. – disse com dó dele.
Saí de cima dele e peguei as bolsas com a Marie.
–Gente me ajude a deitá-lo certinho na cama. – disse.
Os meninos vieram e o virarão de frente.
–Aii! – Justin reclamou.
– Com cuidado! – disse preocupada.
Depois de deitá-lo adequadamente todos eles saíram do quarto. Coloquei as bolsas de água quente em contato com a sua coluna vertebral e o cobri com o edredom.
–Dorme um pouco. – disse apagando as luzes e acendendo o abajur.
–Obrigado, Jú. – ele disse segurando a minha mão.
–Relaxa. – disse olhando nossas mãos juntas.
–Não quero ficar sozinho. Fica aqui comigo. – ele pediu e me puxou para mais perto.
–Mas é para você descansar. – disse me sentando ao seu lado na cama.
–Você está aqui comigo por vontade própria. – ele disse se lembrando do que eu tinha dito anteriormente. – Tão perto...
–Justin... não crie ilusões. – disse com cuidado.
–O melhor é que não é ilusão. Você está mesmo aqui. – ele disse acariciando minhas mãos e sorrindo.
–Você entendeu o que eu quis dizer. – disse calmamente.
–Entendi. – ele disse aproximando seu rosto mais do meu. – Mas não quero.
Seus olhos de perto eram fascinantes e o brilho parece que ofuscava os meus.
Ele largou a minha a minha mão esquerda e a levou até o meu rosto. Fechei meus olhos ao sentir essa sensação.
–Justin, você está bem? – uma voz irritante disse do nada.
Olhei para trás e vi a Cloe entrando no quarto enquanto tirava o cachecol do seu pescoço.
–Soube que você tinha acabado de chegar. – ela disse caminhando até nós. – Porque não me ligou? Fiquei esperando você aparecer ontem, mas não deu nenhum sinal.
–Me perdi na estrada. – ele respondeu sem desviar seus olhos de mim.
–O Ryan me disse que você não está bem. – ela disse insistente e se sentou do outro lado dele, fingindo que eu não estava ali. – O que houve bebê?
Abaixei minha cabeça, tirei sua mão do meu rosto e me levantei.
–Jú! – Justin disse baixinho.
–Eu cuido de você. – Cloe disse trocando de lugar, indo se sentar onde eu estava.
–Logo vai melhorar. – disse e saí do quarto cabisbaixa.
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