sábado, 18 de fevereiro de 2012

Destiny's Story - Capítulo 45


Estávamos lá fora durante longos minutos, eu não me importava de passar frio no meio de toda aquela neve, apenas queria ficar longe de todos. Que falta a Emily fazia em um momento como esse, ainda bem que também tenho a Marie ao meu lado.
–Jú… esse é o cd.- Marie disse deixando ele ao meu lado - Não é melhor você escutar tudo? Só assim você vai poder saber se o Justin está falando mesmo a verdade.
–Não quero mais nem pensar nele – disse chorosa.
–Tem certeza? Olha… eu tenho mesmo que entrar, a diretora já deve estar me procurando por aí. A rádio está aberta, se você quiser ir lá e escutar o cd inteiro…
–Ok… obrigada amiga – disse lhe abraçando de lado.
–Não precisa agradecer, você é a melhor amiga que eu nunca tive. – ela disse me abraçando também – Se cuida, ok?
Ela levantou e entrou dentro da escola. O cd parecia que se aproximava cada vez mais de mim, mas sei que era apenas a minha curiosidade de saber o restante da conversa. O peguei em minhas mãos e li o que estava escrito na capa. A letra era idêntica ao do Justin, aquilo só vez meu coração se apertar mais ainda. Então ele mesmo o enviou até a Marie para me expor? Me levantei e corri até a rádio, eu necessitava ouvir ele por completo. Inseri o cd, me sentei, coloquei os fones e respirei fundo. Precisava tomar coragem para apertar o botão laranja escrito PLAY com letras gigantescas. De olhos fechados e no impulso eu finalmente o apertei.
A gravação era um pouco extensa. Ele contou direitinho para os seus amigos como foi que aconteceu. Me senti envergonhada de saber que o time de basquete acabou descobrindo detalhes sobre mim, detalhes que nem eu mesma sabia. Meu coração aos poucos se enchia de amor e minha cabeça dizia para acreditar nele. Mas tudo voltou a estaca zero quando ele disse:
–“Não vou negar, desde o início eu me aproximei dela com segundas intenções.”
–“Afinal você é o JB, né?!” – disse Ryan.
Em seguida só se ouvia risos e palavras como “Yeah man”. Lágrimas surgiram novamente em meus olhos e meu coração que antes estava sendo sustentado por um fio, acabou se partindo completamente.
–O que você está fazendo aqui? O sino já tocou. – a faxineira disse enquanto abria a porta e me olhava.
–Desculpe… eu já estou indo – disse escondendo o meu rosto e levando o cd junto comigo.
Estava caminhando pelos corredores rumo à sala de aula, mas durante o caminho eu vi o armário de Justin. Olhei para o cd e depois para o seu armário, sem pensar duas vezes o enfiei lá dentro pelas frestinhas que ele possuía. Aquilo pertencia ao Justin e não a mim, não iria suportar ficar com esse cd em minhas mãos. Com passos largos caminhei até a sala. Quando abri a porta vejo que todos me olhavam, mas um olhar me chamou mais atenção, o olhar caramelado de Justin. Minhas pernas ficaram bambas e eu me apoiei na fechadura da porta. Tinha me esquecido totalmente que nessa aula ele era o meu parceiro de biologia e nas outras nós éramos das mesmas turmas.
–Posso saber onde a senhorita estava? – perguntou o professor.
Não conseguia respondê-lo, na verdade não estava nem um pouco a fim de responder a essa pergunta. Eu queria sair correndo e nunca mais voltar.
–Não vai responder? – o professor disse irritado. –Então senti-se logo em seu lugar.
Dei um passo para frente, mas minhas pernas ainda não continuavam firmes. Acabei caindo e fiquei com as costas apoiada na porta.
–JÚ!!!! – Justin veio correndo até mim. – Amor, você está bem?
Todos me olhavam e uns até riam. Eu me sentia fraca, tentava me afastar dele, mas era impossível conseguir energia para me mover.
–Senhorita Monteiro… você está se sentindo bem? – o professor perguntou preocupado.
–Jú… você está pálida. – Justin disse mais preocupado ainda enquanto segurava meu rosto. – E gelada – acrescentou ao sentir minha pele fria. Com cuidado, ele esfregava suas mãos nas minhas, tentando me esquentar.
–Eu… eu me entreguei a você – sussurrei baixinho sentido meus olhos se fecharem e em seguida não conseguia ver e nem sentir mais nada.
Abro os meus olhos e vejo que estou deitada em uma maca, Na porta da sala estava escrito enfermaria e tinha uma mulher vestida de branco desligando o telefone.
–Como vim parar aqui? – perguntei enquanto tentava me levantar.
–Por favor, permaneça deitada – disse a enfermeira – Você acabou desmaiando na aula de biologia e seu amigo te trouxe até aqui.
–Amigo? – perguntei confusa.
–É… um menino de cabelo para o lado que usa essa jaqueta do time de basquete da escola que você está vestindo – ela disse anotando algo em uma ficha. – Ele está lá fora e parece realmente preocupado com você.
–O Justin está lá fora?! – disse assustada enquanto olhava a jaqueta dele que eu estava usando.
–Quer que eu o chame? – ela perguntou indo até a porta.
–NÃO! – disse a impedindo.
–Quer então que eu ligue para os seus pais?
–Não… eu não quero preocupá-los. – disse olhando para os lados – Por que eu estou tomando soro? – perguntei reparando que havia uma agulha no meu braço ligada a um pedestal com o saco de soro pendurado.
–A sua pressão ficou baixa e você também estava muito fraca. Precisa se alimentar direito.
–Só foi um mal estar, nada demais. – disse olhando novamente para o meu braço. – Quanto tempo eu vou ficar aqui?
–Até tomar soro suficiente. – ela disse indo até a porta e indo embora.
Fiquei sozinha na enfermaria, procurei meu celular, mas não o encontrei. Como não podia sair dali fiquei sentada na maca, tomando soro enquanto inalava o perfume do Justin que exalava da jaqueta. O cheiro dele me deixava tranqüila, mas fazia meu estômago embrulhado só de lembrar o que ele fez comigo. Para me distrair, procurei por algo mais interessante naquela sala, até que vi um esqueleto pendurado ao meu lado. Fiquei lá brincando com ele a fim de esquecer de uma vez por todas esse dia.
Ainda tinha muito soro para tomar e a velocidade com que ele era injetado na minha veia era lerda demais. Enquanto brincava com os dedos do esqueleto, escuto alguém abrir a porta. Olho para ela e vejo o Justin olhando curioso pela sala. Rapidamente me deitei e fingi que estava dormindo.
Ouço passos, até que senti sua respiração perto da minha. Ele deu um beijo em minha testa e ficou de pé ao meu lado segurando a minha mão. Não tinha como me afastar dele, pois eu estava “dormindo”. Com cuidado e com movimentos lentos eu me movi, fingindo ainda estar dormindo, mas ele esperou eu me ajeitar e pegou novamente na minha mão. Sua pele quente fazia meu corpo se aquecer e nem mesmo o soro gelado que embebedava as minhas veias conseguia reverter isso.
–Queria que hoje fosse apenas um pesadelo – ele disse baixinho, achando que estava sozinho. – Eu não quero te perder, Jú.
Meu corpo formigava com suas palavras doces e seus carinhos amorosos, mas eu não iria dar o braço a torcer.
–Sei que errei em ter dito aquilo aos meninos, mas é que… eu não sei explicar. O orgulho de dizer que eu tinha finalmente conseguido você e de continuar sendo um exemplo machista para eles tomou conta de mim.
Ele respirou fundo e continuou:
–Sou mesmo um idiota de ter escolhido ser o herói deles ao invés do seu. Na verdade o herói deles fez como vítima a mulher que ele ama. Não queria ter te machucado e me sinto horrível por não ter cumprido minha promessa. – ele disse triste – Eu te amo Julieta, mais do que posso explicar – ele disse acariciando os meus cabelos.
Devagarzinho, abri meus olhos e o vi me admirando. Ao perceber que eu “acordei”, ele deu um sorriso de canto e continuou acariciando minha mão e meus cabelos.
–Senti falta dos seus olhos. – ele disse calmante. Parecia que ele estava viajando ou que ele não tinha realmente se tocado de que estava acordada.
–Filha! – minha mãe apareceu dentro da sala e veio até mim.
Mesmo com a minha mãe parada ao meu lado o Justin não se moveu, apenas arregalou os olhos provando que finalmente ele tinha acordado.
–Você está bem? O que aconteceu? – ela perguntou preocupada.
–Como você veio parar aqui? – disse confusa.
–Um menino me ligou avisando que você tinha desmaiado.
Olhei para Justin e ele abaixou a cabeça.
–Eu peguei seu celular e achei melhor avisar a sua família. – ele disse sem graça.
–E fez bem. Obrigada – minha mãe falou agradecida.
–Magina. Seria bom você ir para a sua casa e descansar um pouco – ele disse me olhando atencioso.
–Ele tem razão, filha. Vamos para casa aí você dormi um pouquinho. – minha mãe disse pegando a minha bolsa que estava em cima de uma mesa. Alguém tinha trazido as minhas coisas para cá.
Não disse nada apenas fiquei olhando os dois ao meu lado. A enfermeira abriu a porta, tirou a agulha do meu braço e colocou um curativo no lugar.
–Vem filha… - minha mãe disse apressada.
–Já vou – disse tentando descer da maca, mas ainda estava fraca demais e sentia o chão se mover.
–Espera! – Justin disse segurado meu braço. – Eu te ajudo. – ele disse e pegou pela minha cintura, me colocando em pé no chão. – Fique bem, ok?
Apenas assenti com a cabeça, desviando de seus olhares e caminhei até a minha mãe.
–Obrigada rapaz. – minha mãe disse grata – Se quiser vê-la em casa é só aparecer.
Droga, não acredito que ela vez esse convite logo a ele. Se ao menos ela soubesse que vim parar na enfermaria por sua culpa, tenho certeza que nunca falaria isso.

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