Subi as escadas lentamente, eu realmente não me sentia bem passeando sozinha por aqueles corredores. Fechei meus olhos e pude imaginar meninas vestidas com roupas caras e vulgares. Com decotes exagerados, micro vestidos colados, sapatos de saltos finos e muito altos, cabelos longos e bem cuidados, unhas grandes e bem feitas, corpos torneados, maquiagens em excesso e brincos grandes. Quantas dessas já não seguiram esse mesmo caminho que agora eu estou seguindo? Abro a porta do quarto de Justin e encaro sua cama ainda desfeita. A minha imaginação estava tão fértil e aguçada que conseguia sentir um perfume feminino pairando no ar. Conforme eu me aproximava mais de sua cama, vinham flashes na minha cabeça com imagens do Justin em pleno amasso com uma garota. A cada flash que invadia minha mente a garota entre seus braços mudava. Não adiantava fechar os olhos ou balançar minha cabeça, elas ainda continuavam existindo. Aquilo tudo fazia meu estômago revirar e meu coração se apertar em meu peito. Saí em disparada ao banheiro, lavei meu rosto e fiquei me encarando em frente ao espelho com minhas mãos apoiadas na pia. Eu estava pálida e meus olhos arregalados. Abaixei a cabeça, olhei a água da torneira descendo ralo abaixo e voltei a encarar o espelho, mas dessa vez não era apenas minha imagem que refletia. Atrás de mim estavam as outras milhares de meninas que eu tinha imaginado anteriormente.
–Está tudo bem? – escuto a voz de Justin.
Rapidamente viro meu rosto em sua direção. Ele estava encostado no vão da porta do banheiro segurando minha bolsa em uma de suas mãos. Lindo como sempre.
–Tudo bem. – eu disse forçando um sorriso. – Você não deveria estar lá embaixo conversando com a sua mãe?
–Já conversamos. A gente conversou bastante, desculpe se demorei tanto é que tínhamos muito a resolver.
–Demorar?! Para mim foi rápido demais – disse confusa.
–Como assim Jú? Nós ficamos mais ou menos duas horas trancados no escritório. – ele disse surpreso pela minha reação.
–Duas horas?
–É… tem certeza que você está bem? – ele disse se aproximando de mim com uma expressão preocupada. – Quando estava vindo para cá eu encontrei sua bolsa jogada no chão do corredor.
–Aaaa… devo ter perdido durante o trajeto até aqui. – disse envergonhada.
Minhas neuroses tinham durado horas. Durante horas eu fiquei aqui me torturando com meus pensamentos tentando decifrar o que já se passou dentro desse cômodo. Eu realmente estava pirando, precisava aprender a conter minha insegurança.
–Amor… eu vou com você para o Brasil! – ele disse me abraçando por trás – Está tudo resolvido, já até mandei providenciar a nossa hospedagem em um hotel.
–Ótimo… eu tinha me esquecido desse detalhe – disse acariciando suas mãos. – E sobre a carta, você conversou com a sua mãe?
Ele nos levou até seu quarto e ficamos sentados na cama, um ao lado do outro.
–Nos entendemos… ela já previa que isso ia acontecer, mas não estava disposta a me contar. Ela é muito protetora e eu entendo, não queria que eu ficasse contra o meu pai afinal ele não é mal, apenas se importa comigo tanto quanto ela. Eu queria ficar morando aqui, não quero deixá-la só. Para isso temos que passar por esses julgamentos e toda essa burocracia. Não estou feliz, mas preciso apoiá-la e não ficar tão abalado, não quero que ela se sinta mal.
–Você é tão atencioso com ela. Fico feliz que ela tenha concordado que você fosse viajar comigo. – disse sorrindo por vê-lo mais tranqüilo.
–Ela também achou que ia me fazer bem. A senhora Mallete perguntou muito de você. – ele disse retribuindo o sorriso.
–Perguntou de mim? – perguntei assustada e envergonhada.
Quando achava que tudo estava mais calmo ele me conta isso. Ela deve ter sido só educada e uma excelente anfitriã. Óbvio que uma mãe não aceitaria uma “nora” de uma hora para a outra, sem nem ao menos conhecer sua família e ter certeza de que era de sangue nobre.
–Ela quis saber sobre coisas que acho que toda mãe pergunta quando vê seu filho em um romance mais sério. Ela nunca me perguntou nada de outras meninas então se considere uma garota de sorte – ele disse rindo fraco.
–Uma garota de sorte? Não sei não… se ela perguntou foi porque teve dúvidas quanto a minha companhia.
–Pára Jú! – ele disse me empurrando levemente de lado – Ela perguntou por que sabe como estou feliz ao seu lado. Quem levou a bronca fui eu. – ele disse me abraçando de lado.
–Bronca? O que nós fizemos? – perguntei preocupada.
– Nada. Ela só disse que você era certinha, educada e com personalidade demais para mim. Ela não quer que eu te machuque ou brinque com você, não quer que você seja usada como uma qualquer. Ela viu que você não é como as outras e que é uma garota de família. Então estou sendo ameaçado tanto pela Julieta Monteiro aqui, quanto pela Pattie Mallete. – ele disse rindo.
–Gostei da sua mãe. – eu disse rindo junto com ele. – Fico tranqüila que ela não tenha me odiado.
–Outra que te adorou foi a Jazmyn. Sempre quando nos vemos ela me pergunta de você.
–Justin… você não está inventando tudo isso só para me tranqüilizar, né?
–Claro que não. Vamos conquistou a família toda sozinha, sem nem precisar abrir minha boca.
Abri um sorriso enorme e o beijei. Por dentro eu estava radiante sabendo que não teria que me afastar dele porque sua família não me aceitaria.
–Me ajuda a fazer a mala? Não faço a mínima idéia do que levar para lá. – ele disse me puxando para mais perto ainda de si.
–É uma cidade litorânea, então você precisa de roupas mais leves e também roupa de banho. – disse saindo de seus braços e indo até o seu closet.
–Quanto tempo nós vamos ficar lá? – ele perguntou deitando na cama.
–Vamos ficar uns quatro dias. – eu disse vasculhando suas roupas e separando as que com certeza ele deveria usar.
Ele realmente tinha muita roupa e era impossível escolher entre tantas peças impecáveis. Isso tudo me fez lembrar da minha mala, eu não tinha nenhuma peça que se encaixasse como as dele.
–Adorei seus tênis – eu disse analisando a sapateira repleta de pares lindos e incomuns. – e eu… detestei isso – disse enquanto pegava um sutiã perdido entre eles.
Saí do closet e fiquei parada no vão da entrada segurando aquele big sutiã equilibrado em um só dedo. Olhei bem para o seu rosto e levantei a sobrancelha esquerda.
–Não gostou? Aaaa Jú… é bonita essa peça! – ele disse rindo debochado – Não gosta de renda vermelha?
–Você nem tenta disfarçar! – disse incrédula – E não... eu não gosto de achar uma sutiã de renda vermelha perdido entre os pertencem do cara que eu gosto enquanto eu ajudo a arrumar sua mala. Qual o tamanho desse sutiã? 56? – disse sarcástica.
–Não sei… não perguntei para ela. Dizem que é indelicado perguntar o tamanho do manequim a uma mulher – ele disse se divertindo com a situação.
–Vai se ferrar Bieber – eu disse jogando o sutiã na sua cara – Olha bem para ele por que é a última vez que você vai ver um. – disse jogando minha bolsa também em sua direção.
–Amor… - ele disse se defendendo, vindo até mim e me prendendo em seus braços – Esquece isso.
–Eu queria viver normalmente, sem que as coisas do seu passado ficassem entre nós. Mas pelo jeito você gosta de ter lembranças guardadas para poder recordar depois. – disse tentando me soltar – Você disse que íamos seguir em frente e que não ia ser mais o mesmo. Eu estou te dando uma chance, lembra?
–Eu sei amor. Eu falei sério que ia ser só nós dois e que meu futuro ia ser diferente do meu passado. Eu te amo e não quero te perder porque você encontrou um sutiã enorme que já estava até mofando dentro do meu armário. – ele disse levantando meu rosto e colando mais ainda nossos corpos. – Juro que isso não vai mais acontecer. – em seguida ele jogou o sutiã que estava em suas mãos no cestinho de lixo ao nosso lado. – Eu te amo… muito!
–Também te amo! Mas não vou mais ajudar a fazer sua mala. Depois você cuida disso sozinho, aí aproveita e faz uma limpa! – eu disse lhe dando um beliscão.
–Aaai!! – ele resmungou de brincadeira – Então agora nós vamos namorar um pouco. – ele disse me beijando e me envolvendo mais ainda em seus braços.
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