Nós cinco fomos até o local onde iríamos esquiar. Eu estava super nervosa depois que vi de qual altura iríamos partir.
–A gente tem que pegar o carrinho que vai nos levar até o alto da montanha. – Chaz disse apontando para ele.
–Aaa não… você está brincando. – disse assustada.
–Não. – ele respondeu rindo. – Vamos lá gente.
Assim que ficamos na fila para pegar o carrinho eu encontro o Eric.
–Eric. – disse o abraçando. – Não sabia que você viria.
–Oi Jú. – ele disse retribuindo o abraço – Sempre quando posso eu venho para cá. E aí… vai ser a primeira vez que você esquia.
–É… e estou morrendo de medo.
–Relaxa, você vai se sair bem.
–Tomara. – disse cruzando os dedos. – Quando você chegou?
–Antes de ontem e já vou embora amanhã mesmo. E vocês?
–Chegamos ontem, mas acho que vamos só depois de amanhã.
–Hey… vai rolar um jantar onde estou hospedado. Acho que vocês também devem estar lá. Fica atrás dessas três montanhas. – ele disse apontando para longe.
–É… nós também estamos lá. – Marie disse confirmando com a cabeça.
–Vocês vão, né? Vai ser divertido. – Eric perguntou sorridente.
–Claro. – disse alegre. – Vai ser leval.
–Vem Jú, é a nossa vez. – Ryan disse me puxando para dentro do carrinho. – Nos vemos lá embaixo Eric.
–Tchau Eric... a gente se vê. – disse sentando no carrinho. – Isso é tão alto assim?
–Você não viu nada. – Ryan disse olhando para frente.
–Belo professor que você é… não sabe nem tranqüilizar sua aluna. – disse lhe dando um tapa no braço.
–Bom… se você fosse uma gatinha a qual não estivesse amorosamente envolvida com um dos meus melhores amigos eu diria que estaria aqui ao seu lado para te segurar. Mas como você não é essa gatinha eu vou apenas te dar umas dicas. – ele disse rindo.
–Ryan!! – disse cruzando os braços.
–Olha… quando a gente chegar bem ali – ele disse apontando para uma marca vermelha – Nós pulamos. Bom… é só isso mesmo.
–O que? Você me avisa só agora que eu vou ter que pular e me virar? – perguntei aflita.
–É… mas não se esquece de manter o equilíbrio e desviar dos obstáculos. São apenas as suas pernas que controlaram seus movimentos e não o tronco. Quando sentir que está perdendo o equilíbrio você flexiona os joelhos. Aaa… e também não se esquece dos bastões na suas mãos para poder deslizar e se controlar.
–Ok… - disse respirando fundo – Será que isso é mesmo seguro?
–É sim… você vai ir bem. Agora pule. – ele disse apontando para a marca vermelha.
–Mas já? – perguntei aflita.
–Já! – ele disse e me empurrou.
Quando dei por mim eu estava deslizando pela neve sentindo o vendo bater em meu rosto. Realmente aquela adrenalina era muito boa de sentir, dava vontade de gritar de tanto entusiasmo.
–OMG… Como é que pára isso? – perguntei a mim mesma ao ver que eu ia saltar de uma montanha para outra.
Tentei fincar os bastões que estavam em minhas mãos firmemente na neve, mas não estava dando muito certo. Com a velocidade que eu estava era impossível parar.
– AAAAA!!! – gritei de desespero.
Vi que havia alguém praticando snowboard bem na minha frente e que se ela não saísse rapidamente dali iria ser massacrada por mim.
–CUIDADO!!! – gritei a fim de avisar, mas já era tarde.
Acabei perdendo um par do meu esqui e caindo com tudo em cima da pessoa, nós saímos rolando juntos pela neve. Depois de várias quedas e deslizes conseguimos parar.
–Você está bem? – a pessoa que estava em cima de mim me perguntou e tirou a máscara do rosto.
–Justin?! – disse surpresa.
–Jú?! – ele perguntou gargalhando – Como você é mesmo uma desastrada.
–Eu tentei parar, mas não deu muito certo. – disse sem graça.
–Quem mandou confiar no Ryan para te ensinar a esquiar. – ele disse ainda rindo.
–Nisso você tem razão.
Ficamos nós olhando durante uns segundos até que percebo que o par do esqui, o qual eu tinha perdido durante a queda, vinha por cima de nós.
–CUIDADO! – gritei e o puxei para mais perto, o abraçando fortemente e protegendo sua cabeça com as minhas mãos.
O esqui passou com tudo por cima de nós e continuou caindo.
–Você está bem? – perguntei preocupada.
–Estou. – ele disse levantando seu rosto e me encarando.
–E suas costas? – disse passando minha mão pela sua coluna.
–Não doeu tanto assim. – ele respondeu carinhosamente.
Não consegui segurar então comecei a rir do nada.
–O que foi? – ele perguntou confuso.
–Foi engraçado. – eu disse rindo com vontade e escondendo meu rosto no seu ombro.
–É… isso foi mesmo. – ele disse gargalhando junto comigo.
Ficamos rindo ainda abraçados.
–Ai ai… - disse tentando parar de rir.
Conforme cessávamos nossos risos aos poucos o Justin ia me envolvendo mais ainda em seus braços. Nossos rostos estavam bem próximos e nossas respirações se tronaram uma só. Seus lábios roçaram nos meus e iniciamos o beijo tão desejado por ambos. Seus movimentos eram cheios de desejo e ele abraçava fortemente a minha cintura enquanto massageava a minha nuca com a sua mão direita.
–Está tudo bem? – Cloe apareceu deslizado pela montanha e jogando neve em cima de nós dois. – Justin?! – disse surpresa assim que viu que tinha atrapalhado nosso beijo.
–A não. – resmunguei baixinho.
O Justin saiu de cima de mim e me ajudou a levantar.
–Larga ele. – Cloe disse me empurrando.
–Hey Cloe. – Justin disse repreendendo ela e me segurando com delicadeza.
–Ela fica dando em cima de você, te humilhando… e você ainda a defende. – ela disse nervosa.
–Acha que está falando com quem, hein sua doida? – disse irritada.
–Hey gente… o que eu está acontecendo aqui? – Chaz apareceu ao lado da Marie e do Ryan.
–Vimos vocês saírem rolando. – Ryan disse preocupado.
–Jú… você está bem? – Marie perguntou assustada.
–Estou. – disse tentando me equilibrar em cima de apenas um par do esqui.
–Vem… veste isso e vamos voltar. – ela disse me entregando um casaco pesado e me ajudando a andar.
Voltamos para casa e eu fui direto tomar um banho quente.
–Jú… você caiu de uma altura gigantesca. Não acha melhor ficar aqui ao invés de ir ao jantar. – Marie disse assim que saí do banheiro.
–Não foi nada Marie e eu quero ir ao jantar. – disse sorrindo – Só para descontrair um pouco.
–Você quer dizer para parar de pensar no beijo de vocês dois, não é?
–Como você sabe? – perguntei surpresa.
–A Cloe estava até agora aqui dando pití por causa disso. – ela disse revirando os olhos.
–Eu morro de raiva quando isso acontece. Parece até que eu não consigo ficar muito tempo longe dele.
–E não consegue mesmo. – ela disse rindo.
–Não tem graça. – disse jogando uma almofada em sua direção.
–Se arruma logo que daqui a pouco nós vamos ao jantar. – ela disse saindo do quarto ainda rindo.
Tentei ao máximo fazer combinações com o que a Marie tinha colocado na minha mala. O que consegui foi isso:
O bom é que o casaco era quentinho por dentro então eu não passaria tanto frio assim. Como não tinha nenhum secador, chapinha ou babyliss eu deixei meu cabelo ao natural. Por isso resolvi reforçar um pouco a maquiagem para parecer mais arrumada. Saí do quarto e vi só a Marie e o Chaz me esperando.
–Cadê o restante? – perguntei curiosa.
–Já foram para o jantar, o Ryan não parava de dizer que estava morrendo de fome. – Chaz disse revirando os olhos.
–E então… vamos? – Marie perguntou sorridente.
–Claro. – respondi os acompanhando até a porta.
Quando chegamos ao salão onde iria ser o jantar, eu vejo o Eric vindo em nossa direção.
–Vocês vieram. – ele disse sorrindo.
–Nós dissemos que viríamos. – respondi retribuindo o sorriso. – Ai gente… eu estou faminta. – disse envergonhada e procurando por comida.
–Vem, eu te acompanho até o buffet. – Eric disse me dando a mão.
Caminhamos até o buffet cheio de comidas deliciosas e pegamos nossos pratos. Me servi e fomos nos sentar em uma mesa. Eu me divertia muito ao lado do Eric, ele era realmente muito engraçado e atencioso.
–Lembra quando eu era apaixonado por você? – ele disse rindo – Você me fez sofrer de amor.
–Aaa pára. – disse lhe empurrando levemente. – Você nem era mesmo apaixonado por mim.
–Hey Eric. – Justin disse aparecendo ao lado dele juntamente de Ryan. – Como você está?
–Hey JB! – ele o cumprimentou alegremente - Vou bem e você?
–Vou indo. – ele disse olhando atentamente para mim parecia que tentava decifrar quem era.
–Sou eu Justin. – disse envergonhada.
–Nossa Jú… você está… linda. – ele disse me olhando por completo.
–Obrigada. – agradeci baixinho.
–Porque vocês não sentam com a gente? – Eric o convidou.
–É que estamos fugindo da Cloe. – Ryan respondeu rindo.
–Ela já me perguntou várias vezes por você, JB. – Eric avisou.
–Eu sei… ela andou perguntando a todo mundo. – ele disse olhando ao redor. – É que nós discutimos e então não quero escutar tudo de novo.
–Brigaram? – Eric perguntou apontando para as cadeiras vazia da mesa para que eles se sentassem – Vocês estão juntos?
O Justin ficou calado sem saber o que falar e com isso um nó se formou na minha garganta, esperando curiosamente pela sua resposta.
–Justin! – Cloe o chamou de longe e caminhou até nós.
–Nossa… ela não sente frio? – disse baixinho ao reparar que a roupa que ela usava era incrivelmente curta e aberta.
–Bebê… eu quero muito conversar com você. – ela disse se sentando ao lado do Justin sem ao menos dar oi ao restante ou ser convidada a se sentar.
–O que foi? – Justin se fez de desentendido.
–Eu fui uma boba de ter gritado contigo. Eu sei que não foi sua culpa. Só não quero ficar brigada com você. – ela disse passando a mão pela camisa social de Justin. – Você me perdoa?
–Não tenho que te perdoar, a Julieta é quem tem. – ele disse olhando para mim.
–Com licença. – disse me levantando e indo a procura da Marie e do Chaz, disposta a fugir logo daquela mesa.
Fiquei um bom tempo conversando com eles. O Justin ficava ao lado da Cloe e ela vivia pendurada no seu pescoço. Às vezes nossos olhos se cruzavam, mas eu logo desviava. Como já estava tarde nós resolvemos ir para a casa, apenas o Justin ficou no jantar.
Quando chegamos, cada um foi para os seus respectivos quartos. Eu fiz um chá de maçã com canela e o levei comigo. Tirei a maquiagem, os brincos, o casaco e o sapato alto e fiquei sentada no sofazinho perto da lareira para ler o livro “Halo” e desfrutar do meu chá quentinho.
As descrições do personagem me fez lembrar o Justin.
“Seu cabelo castanho-claro era da cor da noz. Cobria-lhe as sobrancelhas e era luzidio sob aquela luz mortiça. Seus olhos tinham o formato de amêndoas… Seu sorriso era absolutamente hipnotizador.”
Desviei meus olhos para a janela e vejo o brilho da lua. Respiro fundo e resolvo voltar a ler meu livro.
Ainda estava no capítulo dois, mais propriamente na página vinte.
"Uma das palavras mais frustrantes da linguagem humana, até onde sei, é amor. Tanto significado atribuído a essa única palavrinha... As pessoas falam nela livremente e a todo tempo, usando-a para descrever seu apego a bens materiais, bichos de estimação, destinos de férias e comidas preferidas. Às vezes, numa mesma frase, empregam essa palavra também para a pessoa que consideram mais importante em suas vidas. Isso não é absurdo? Não deveria haver outro termo para descrever uma emoção tão profunda? Os humanos são muito preocupados com o amor. Todos estão sempre desesperados para formar um vínculo com uma pessoa a quem possam se referir como sua "alma gêmea". De acordo com o que li na literatura, parecia-me que estar apaixonado significava ser o mundo inteiro da pessoa amada. O resto do Universo era insignificante comparado aos amantes. Quando estavam separados, cada um entrava em estado melancólico, e apenas quando se reuniam seus corações tornavam a bater. Só estando juntos poderiam realmente ver as cores do mundo. Uma vez separados, aquela cor sumia, deixando tudo cinzento e nebuloso. Eu ficava na cama me perguntando sobre a intensidade dessa emoção que era tão irracional e tão irrefutavelmente humana. E se a fisionomia de uma pessoa fosse tão sagrada para você a ponto de se inscrever permanentemente em sua memória? E se o cheiro e o toque dela tivessem mais valor do que sua própria vida?”
Impressionante como tudo me lembrava ele. Espirei fundo novamente, dou um gole na xícara de chá e levantei meu rosto.
–Ainda está acordada? – escuto alguém perguntar e a porta ranger.
Olho em sua direção e percebo que era o Justin.
–Achei que já estava dormindo. Você está toda encolhida.- ele disse olhando o meu estado.
–Não… estou apenas lendo. – disse erguendo o livro em minhas mãos.
–Halo. – ele leu o nome escrito na capa e veio se sentar ao meu lado – Você sempre está lendo algo. Sobre o que fala esse livro?
–É um romance. – disse enquanto folheava as páginas.
–Um romance?! – ele disse arqueando as sobrancelhas e sorrindo.
–É… um romance entre uma menina que na verdade é um anjo e um menino mortal. – expliquei e em seguida ele começou a rir. – Qual é a graça?
–Porque você não deixa um pouco esses romances fictícios de lado e começa a viver o seu. – ele disse tirando o livro de minhas mãos e colocando ao seu lado.
–É que eu gosto de ler. – disse envergonhada.
–Mas primeiro… você deveria gostar de viver. – ele disse se aproximado mais de mim e me puxando pela cintura.
Ele abriu um sorriso de lado e me beijou com vontade. Eu não sabia como agir ou o que fazer. O Justin me trouxe mais perto ainda e intensificou o beijo. Pelo instinto, eu entrelacei meus braços ao redor do seu pescoço e acariciei a sua nuca. Por falta de ar, ele separou nossos lábios, sorriu e se levantou lentamente, me levando junto. Voltou a me beijar e começou a dar passos cauteloso para frente, fazendo com que eu andasse para trás. Cheguei a bater na cabeceira da cama e então separei nossos lábios.
–Jus… eu não quero me machucar. – disse ofegante.
–Eu nunca vou fazer você sofrer. – ele disse me abraçando e caminhando até a lateral da cama.
–Já escutei isso uma vez.
–Acredite em mim… não fui eu quem fez você sofrer. – ele disse no meu ouvido e beijou o meu pescoço.
Levantei seu rosto e voltei a beijá-lo. Ele me deitou na cama com toda delicadeza e ficou em cima de mim, se apoiando no colchão e ainda sim segurando a minha cintura. Deslizei minhas mãos pelo seu peito e fui desabotoando sua camisa social. Conforme eu ia tentando tirá-la ele foi abrindo o zíper do meu vestido.
–Impressionante como eu não sei viver sem você. – eu disse enquanto segurava nos seus braços.
–Impressionante mesmo… é o amor que eu sinto por você, Julieta. – ele sussurrou no meu ouvido e deu uma pequena e leve mordidinha no lóbulo da minha orelha. Em seguida voltou a me beijar de uma forma apaixonante.
Acordei sentindo um calor esquentar as pontas dos dedos dos meus pés. Abro os olhos e percebo que dormi com a lareira acesa. Tento me virar, mas sinto um corpo quente me segurando. Olho para baixo e vejo que eu estava apenas de lingerie e apoiada no peito do Justin. Rapidamente acabei me lembrando de ontem, eu tinha realmente dormido com ele. Aos poucos a culpa foi tomando conta de mim. Eu não deveria ter me envolvido tanto, não deveria ter me deixado levar. Eu o amava, mas não estava pronta para voltar com ele.
Sem acordá-lo, eu tirei seus braços entrelaçando na minha cintura e nas minhas costas e me levantei da cama. Fui até o banheiro, me arrumei, escovei os dentes e organizei minhas coisas. Fechei a minha mala, cobri o Justin com o lençol e depositei um selinho em seus lábios.
–Eu ainda te amo tanto. – sussurrei enquanto tirava o cabelo de sua testa e saí do quarto carregado a minha mala.
Escrevi um bilhete e colei na geladeira dizendo que eu estava voltando para Stratford. Saí da casa sem fazer barulho e caminhei pelo “condomínio”, até que vejo o Eric guardando sua mala dentro de um carro.
–Tem lugar para mais um? – perguntei meio sem jeito.
Ele me olhou surpreso e disse:
–Tem… mas você não ia votar só amanhã? E a Marie?
–Mudança de planos. – disse arrastando minha mala até ele. – Ela vai ficar bem, o Chaz vai cuidar dela.
–Ok. – ele disse guardando as minhas coisas no porta mala. – Vamos?
–Vamos. – respondi forçando um sorriso.
Entrei dentro do carro e pegamos a estrada. Durante todo o trajeto eu fiquei pensando nos últimos acontecimentos e na minha vida em si. Não me arrependo de te dormido com o cara por quem sou perdidamente apaixonada, só não sabia como encará-lo depois disso. Eu não estava pronta para voltar a ter uma relação, na verdade nem sabia se já tinha o perdoado. Apenas queria dar tempo ao tempo e cicatrizar essa ferida que ainda estava aberta em meu peito.
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