–Obrigado pela camiseta. – ele sussurrou no meu ouvido – Não acreditei quando vi.
–A Marie me de uma ajudinha. – disse sorrindo.
–Tem assinatura de todos do time, com meu nome e tudo.
–E ainda é o mesmo número da sua camiseta do time de basquete. – disse apontando para o número 6 estampado em seu peito.
–Eu adorei. – ele disse sorrindo.
–Eu também. – disse me alinhando em seu corpo - Ficou perfeito em você.
Ele me abraçou forte e disse:
–Eu estive pensando em ir ao baile do cupido lá no clube. – ele propôs.
–Mas eu queria ficar com você.
–Você vai junto, achei que isso fosse óbvio. – ele disse rindo.
–Eu quis dizer ficar sozinha com você. Nós ficamos o dia todo cercados de gente e nunca dá certo de aproveitarmos um momento se quer a sós.
–A sós?! – ele disse sorrindo de canto – Ok... vamos ficar a sós. Se mudarmos de idéia nós vamos ao baile.
–Ok. – concordei – O que tem em mente para a gente fazer?
–Você que deu a idéia de ficarmos, então me diz você. – ele disse rindo.
– Não sei. – disse rindo pela falta de criatividade.
–Que tal a gente ficar aqui mesmo e esquiarmos. – ele disse apontando para o lago congelado.
–Da outra vez isso não deu muito certo. – disse rindo e me lembrando do dia em que vim esquiar com a Marie – E você ainda me derrubou.
–Aquilo foi muito engraçado. – ele disse se lembrando também – Mas vamos... eu te ajudo.
–Não sei não. – disse desconfiada.
–Não vou te derrubar, juro. – ele disse beijando seus dedos cruzados.
–Está bem. Vou pegar meus patins e já volto. – disse enquanto saia da praça.
–Enquanto isso eu vou pegar minhas coisas no porta mala do carro. – ele gritou me avisando.
Corri até em casa e só agora tinha me lembrando dos meus amigos que deveriam estar ainda dentro de casa. Fui até a cozinha, o jardim, a sala e não encontrei ninguém. Como a casa estava em silêncio conclui que já deveriam ter indo embora. Subi até o meu quarto e peguei do closet os patins que a Emily me deu. Desci e voltei até a praça.
Encontrei o Justin já usando seus patins e um equipamento de hóquei.
–Mas o que é isso? – perguntei rindo enquanto me sentava na escada do gazebo para calçar os patins.
–Resolvi te ensinar a jogar hóquei. – ele disse assim que acertou o disco preto no gol improvisado.
–Nem pensar. – disse enquanto ficava de pé e ia até o lago congelado. – O esporte até que é legal, mas acho um tanto bruto.
–Jú, somos apenas nós dois. – ele disse vindo até mim e me puxando para entrar na pista – Não tem nenhum brutamonte para tentar roubar o disco de você ou te derrubar com tudo.
Andei um pouco sobre o gelo e assim que o Justin me soltou eu perdi o equilíbrio e quase fui de cara no chão.
–Hey! – ele disse enquanto puxava a minha cintura para mais perto, me ajudando a não cair – Acho que antes vamos ter que patinar um pouco.
–Eu avisei. – disse enquanto me segurava na jaqueta dele.
–Não precisa ficar com os pés assim... tortos – ele disse rindo e analisando o meu estado.
–Pelo menos assim eu fico parada.
–Faz o seguinte... eu vou te ajudar mas não me solte. – ele disse, endireitou minhas pernas, concertou minha postura e riu em seguida – Você está fazendo isso só para ficar pertinho de mim? Porque eu já te vi patinar uma vez.
–Não seu bobo. A Marie tinha me ajudado a ficar em pé e eu patinava mais lentamente para não perder o equilíbrio. – expliquei.
Fomos até o centro da pista e ele me disse:
–Vamos dar algumas voltas até você ficar mais confiante. – ele disse enquanto tomava impulso e nos conduzia. – Viu como não é tão difícil assim?
–Pra você. – disse segurando mais forte a sua jaqueta - Afinal me diz uma coisa que você não é bom. Você era do time de hóquei, é o capitão do time de basquete, é o cara mais popular, bonito e descolado da escola, sabe uns golpes de boxe...
–Tenho mais defeitos do que você imagina. – ele me interrompeu.
–Pois eu não concordo. – disse carinhosamente.
–Então você mudou bastante porque antes me achava um idiota e até dizia que eu era um psicopata. – ele disse rindo.
–Culpa sua... que fez eu me apaixonar por você.
Ele parou de andar e beijou a minha testa enquanto me envolvia em seus braços quentes.
–Que tal você tentar anda um pouco sozinha, sem a minha ajuda. – disse ele.
–Não. – disse me aconchegando em seu abraço.
–Vamos Jú... – ele disse rindo e se afastando, mas sem soltar as minhas mãos.
O Justin me puxou levemente e logo começamos a patinar apenas de mãos dadas, quando eu estava me sentindo mais confiante ele largou a minha mão e eu segui sozinha.
–Viu... você está deslizando no gelo de um lago congelado. Sabe quantos litros de água congelados tem em baixo de você? Sem contar em plantas e quem sabe alguns animais.
Olhei para o gelo em contato com as lâminas dos meus patins e fiquei imaginando se uma placa de gelo derretesse e eu caísse dentro do lago... a água iria petrificar o meu corpo de tanto frio. De tão distraída que eu tava, eu acabei tropeçando e caindo.
–Jú... você está bem? – o Justin veio me ajudar.
–Droga. – resmunguei baixinho.
–Você caiu do nada. – ele disse enquanto me ajudava a levantar.
–O que você disse me deixou um pouco assustada. – confessei.
–Jú... essa lago está congelado durante meses, seria impossível ele derreter assim do nada.
–Eu sempre pareço uma boba ao seu lado. – disse envergonhada – Parece que tudo o que eu falo não tem sentido e você sempre é tão seguro.
–O que deu em você? – ele perguntou preocupado e depois sorriu – Bateu a cabeça quando caiu?
–Talvez, mas isso não deixa de ser verdade.
–Amor… você definitivamente não tem nada de boba – ele disse sorrindo enquanto olhava nos meus olhos – Somos um tanto diferentes um do outro, mas isso não significa que eu seja melhor que você. Se bem que acho que seria ao contrário. Você é mil vezes mais correta, sensata e perfeita do que eu.
–Você fala de um jeito que parece ser a maior verdade do mundo. – disse rindo constrangida.
–E é. – ele disse acariciando meu rosto – E então... vamos tentar jogar um pouco de hóquei?
–Vamos. – concordei.
–Antes nós temos que apostar alguma coisa. – ele disse de uma forma divertida.
–Mas você já sabe jogar e eu não. – disse seriamente – Seria injusto.
–Vou pegar leve com você. Juro.
–Está bem. Se bem que não vai ser tão difícil assim ganhar de você. Já ganhei uma vez na sua barraca do evento de caridade.
–Eu deixei você ganhar.
–Não deixou não! Você não é desses que deixa o outro ganhar. – disse rindo.
Ele rapidamente me deixou sozinha e começou a levar o disco para o outro lado da pista para fazer um gol.
–HEY!!! ASSIM NÃO VALE!! – gritei e comecei a patinar o mais rápido que eu podia para detê-lo.
–Como você disse... eu não vou deixar você ganhar. – ele disse rindo e acertando no gol improvisado – WOOHOO!!!
Ele começou a comemorar e a patinar em volta de mim.
–Não valeu. – disse irritada – Eu estava desprevenida e nem tínhamos dado a partida.
–Mas é assim que se ganha, temos que aproveitar qualquer deixa do adversário. – ele disse rindo.
O Justin pegou a minha mão direita e me girou.
–Não adianta fazer bico – ele disse enquanto me puxava para mais perto - Vai se preparando para ver mais acertos iguais a esse.
Em seguida ele sorriu de lado e me beijou. Sua mão que segurava o taco de hóquei envolveu a minha cintura e a outra apertava a minha mão direita. Era bom sentir seus lábios quentes juntos aos meus enquanto o vento frio soprava em nossa direção. Mas o melhor é que não havia ninguém, estávamos sozinhos, ou seja, não seríamos atrapalhados nem por algum amigo, pela Cloe ou pelo Apolo. Ele separou nossos lábios e eu logo puxei sua nuca para mais perto e dei início a outro beijo. Eu deslizava minha mão pelos seus cabelos perfeitos e me encaixava cada vez mais em seus braços enquanto ele intensificava mais ainda o beijo. Tentei romper o beijo mas ele não deixava e se inclinava na minha direção. Quando finalmente consegui separar nossos lábios, direi o taco de sua mão e patinei até o meu gol para levar o disco até o dele. O Justin estava parado no meio da pista com uma cara de bobo e eu só ria até que fiz um ponto.
–UHUULL!!! – gritei comemorando e fazendo uma dancinha ridícula.
–Não pode roubar o taco do adversário. – ele me avisou.
–Tanto faz – dei de ombros – Você quem disse que devemos pegar o adversário quando estiver desprevenido.
–Mas você tinha me beijado, como queria que eu me recompusesse tão rápido assim? – protestou.
–Não reclama. – disse rindo e lhe entregando outro taco – O placar está 1x1.
Nenhum comentário:
Postar um comentário