–E então o que vamos fazer hoje? – Justin perguntou depois de nos beijarmos.
–Bom… a Emily tem aula hoje e só volta no final da tarde. Eu estava pensando em passarmos lá para buscar ela e depois nós vamos jantar juntos. O que acha? – disse sorrindo.
–Tudo bem... mas e agora o que nós vamos fazer? – ele disse malicioso.
–Dá para parar! – eu disse batendo no seu braço direito e rindo. – Nós vamos treinar o seu português, como tínhamos combinado.
–Só estava brincando, gata! – ele disse rindo também – Vem… então me ensine português.
Fomos até o sofá da sala de estar e entreguei um dicionário em suas mãos.
–O que você quer aprender? – perguntei me jogando entre as almofadas.
–Não sei… o básico. O que eu mais vou usar por aqui, algo desse tipo. – ele disse folheando o dicionário Inglês/Português.
–Ok! Vamos começar por “oi”, “tudo bom”, “obrigado”, “por favor” e coisas parecidas. – eu disse em inglês e em seguida repeti em português.
Ficamos horas treinando e o Justin parecia mais um bebê falando. Eu não conseguia parar de rir por mais que tentasse segurar o riso, ele ficava bravo e jogava as almofadas na minha cara. Digamos que foi uma aula cansativa, mas também muito engraçada.
–Vamos parar por aqui. Tanto o português quanto o inglês estão totalmente enrolados na minha cabeça agora – eu disse rindo exausta.
–Tudo bem – ele disse rindo também – Quer que eu peça algo para comermos?
–Não! Lembra que vamos jantar com a Emily? - eu disse me afundando no sofá – Espera! Você não aprendeu a falar a coisa mais importante. – disse levantando meu tronco rapidamente.
–O que? – ele disse jogando o dicionário no chão.
–I Love you – disse me aproximando mais dele.
–E como é em português? – ele perguntou rindo fraco e me puxando para mais perto.
–Eu te amo. – disse vagarosamente.
–Eu... –ele tentou pronunciar.
– te amo – disse sorrindo.
–Eu... te... – ele respirou fundo – amo... Eu te amo! – ele disse dando um selinho em meus lábios.
Fomos interrompidos pelo celular de Justin tocando.
–Vai lá atender. – disse o empurrando para que se afastasse.
–Droga... sempre tem alguém para nos interromper. Vou lá e já volto.
Ele foi até o quarto e atendeu o telefone:
–Oie mãe!
Eu acabei rindo em saber que era a mãe dele. Ela deveria estar sentindo muita falta dele. Para deixar os dois conversarem a sós eu fui até o quarto e fiz mímica para o Justin dizendo que ia tomar um banho e depois voltava. Ele assentiu com a cabeça. Estava prestes a abrir a porta quando me lembro de um detalhe. Peguei o dicionário, deixei em cima de sua cama e através de mímica eu pedi para ele mandar um beijo para a Pattie. Ele riu e eu fui embora.
Entrei dentro da minha suíte, tomei um banho para me refrescar e me enrolei na toalha. Sai do banheiro e fui até minha mala que estava em cima da poltrona da sala. Escolhi um short claro, uma regata, um bolero bordado e um all star branco. Quando estava colocando o brinco escuto alguém batendo na porta. Olhei pelo olho mágico e vi que era o Justin.
–Oie amor. Já está pronto? – perguntei fitando ele de cima a baixo.
–Sim. Posso entrar? – ele disse entrando em seguida e me beijando.
–Jus… – disse o afastando – Temos que ir a Emily já vai sair da escola.
–Ok… eu aluguei um carro para podermos nos locomover sem problemas e já está lá embaixo.
–Nossa, não precisava nós íamos de ônibus mesmo. – disse terminando de colocar o brinco e em seguida pegando minha bolsa.
–Ônibus?! – ele perguntou arqueando a sobrancelha esquerda e em seguida se sentou na minha cama.
–Ok… nunca mais te faço andar de ônibus - disse rindo e calçando a sapatilha.
– Hmm… o que é isso? – ele disse pegando a toalha que eu tinha deixado em cima da mala, com um sorriso de canto.
–Não! Larga isso Bieber! – disse me aproximando dele, mas já era tarde demais.
–Hmm… lingerie! – ele disse analisando minhas peças íntimas.
–Dá para parar de ser tão curioso! – disse brava enquanto o empurrava para fora do quarto, em direção a sala.- E aquilo não era lingerie, eram apenas peças íntimas… só isso.
–Ou seja, lingerie – ele disse rindo.
–Vamos logo o sino da escola já vai bater.- disse abrindo a porta irritada.
–Tudo bem. – ele disse vindo até mim, me puxando para fora do quarto e fechando a porta.
Na frente do hotel o nosso carro já estava nos esperando.
–Uma range rover? Não tinha um carro mais chamativo não? – eu disse olhando para o carro enquanto o manobrista entregava as chaves na mão de Justin.
–Qual o problema com o carro? Eu sempre quis dirigir um desses – ele disse abrindo a porta do carro para eu entrar.
–Só achava melhor não chamarmos muita atenção. – disse me sentando no bando do carona.
Ele fechou minha porta e entrou dentro do carro. Me deu um beijo no rosto e deu a partida sorrindo.
–Tudo bem… não vou dizer nada. Pode aproveitar seu sonho de dirigir uma range rover – eu disse rindo fraco encarando seus olhos brilhando.
–Obrigado – ele disse sorrindo mais ainda. – Então qual é o caminho?
–Vai indo em frente que eu vou te falando – disse ligando o rádio.
Estava tocando “Certos Detalhes” do Catch Side, fazia falta escutar uma música brasileira. Enquanto apontava o caminho para o Justin eu ficava cantando junto com a música e olhava para a cidade ao meu redor. Inalar o ar da minha cidade querida me fazia tão bem, era bom estar de volta. Não via a hora de reencontrar a Emily.
Quando chegamos em frente ao colégio eu fiquei admirando a fachada, que saudade de estudar ali. Não era como a minha nova escola no Canadá, mas mesmo assim era incrível. Todos aqueles corredores, salas, banheiros, quadra… tudo aquilo tinha muita história para contar. Momentos bons que eu nunca esquecerei.
–Você sente falta daqui não é? – ele perguntou pegando minha mão e me tirando do transe.
–É… - disse suspirando – Mas agora eu tenho outra vida, uma vida onde você existe. – disse sorrindo.
–Isso é bom – ele disse rindo e me dando um selinho.
O sinal bateu e logo havia milhares de crianças e adolescentes atravessando o portão. De uns eu me lembrava muito bem, das patricinhas insuportáveis que não são nada em relação a Cloe, dos meninos metidos e populares, dos nerds, dos bagunceiros, dos invisíveis e principalmente dos estranhos: o meu grupo. Éramos chamados de estranhos porque todos eram diferentes um do outro, cada um tinha seu jeito e isso nos completava. Desci do carro e fiquei encostada na porta, sorrindo e encarando o meu passado. Logo a Emily apareceu junto com a Bianca, o Igor, a Kátia, o Dan e o Caio. Eles estavam um pouco mudados, mas eram também os mesmos de sempre. A Emily me viu e veio correndo em minha direção. Todos olhavam surpresos e confusos.
–JÚ!!! QUE SAUDADE DE VOCÊ!!! –ela disse me abraçada forte.
–Você não sabe quanta falta me fez esse abraço. - eu disse retribuindo o abraço forte.
–Jú? É você? – Igor disse se aproximando de nós duas
– Não acredito. – Dan disse vindo junto com o Igor.
Rapidamente a Bianca, a Kátia, o Dan e o Igor vieram fazer parte do abraço.
–Hey… deixa um pouco para mim também – disse o Caio fazendo com que todos me soltassem.
–Oie Caio. Tudo bem? – eu disse envergonhada
–Tudo e você? – ele disse se aproximando mais de mim.
Seus olhos continuavam os mesmos, pretos e incrivelmente escuros, seu cabelo, também preto, tinha o mesmo corte de sempre. Com os fios bagunçados, um bagunçado despojado mas mesmo assim ajeitado. Sua tag sempre pendurada no pescoço, junto com o pingente que eu tinha dado no aniversário dele: um peixe, pois ele era um nadador e nos sempre pescávamos juntos na praia.
–Estou ótima. Você continua o mesmo. – disse impressionada.
–É pequena… mas você está um tanto diferente, com mais vida. – ele disse me abraçando carinhosamente. – Senti muito a sua falta – ele pronunciou isso no meu ouvido.
–Deve ser o Canadá que deixou essa assim – Bianca disse risonha.
–Não… acho que foram os canadenses – Emily disse acompanhando a Bianca.
Eu fiquei vermelha com todos olhando para mim e me analisando por inteira.
–Quem é ele? – Kátia disse apontando para o Justin parado logo atrás de nós todos.
–Aaaa… é o Justin! Ele veio comigo do Canadá, então falem em inglês. – eu disse rindo e puxando o Justin para mais perto da nossa rodinha.
–Oi – Justin disse cabisbaixo.
–Oi – todos responderam juntos.
–Hmmm… um canadense. – disse a Kátia brincalhona.
–Ká... pode ir tirando o olho porque ele já é da Jú – a Emily disse rindo fraco.
–Da Jú?! – Caio perguntou confuso enquanto olhava para nossas mãos entrelaçadas.
–Passei aqui para convidar vocês para jantarmos juntos. O que acham? – disse mudando de assunto.
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