A Marie e o Chaz ficavam fazendo demonstrações de amor para lá e para cá enquanto ele dirigia. Na rádio tocava músicas românticas. Os dois eram realmente fofos juntos. Para não atrapalhar os pombinhos resolvi ficar quietinha. Era apenas eu, a lua e a rosa que o Justin tinha colocado no meu cabelo. Querendo ou não o seu perfume estava impregnado em mim. E era inevitável não comparar seus olhos com as estrelas do céu e sua pele com as delicadas pétalas da flor em minhas mãos. Porém o mais inevitável era não achar suas características mil vezes melhores que esses pequenos elementos concretos existentes no mundo.
Quando chegamos a Marie me deu as chaves para que eu abrisse a porta enquanto ela se despia do Chaz. Tirei meus sapatos para não fazer barulho e subi as escadas. Tinha apenas uma única porta aberta, conclui que era o quanto que iríamos ficar. Neste quarto havia duas camas de solteiro separadas por um criado do mudo,um abajur, um armário um tanto pequeno, um espelho e uma porta que dava para o banheiro. Joguei minha mochila em cima de uma das camas, provavelmente a que eu iria dormir, e pequei meu pijama. Como não conseguia tirar meu vestido sozinha fiquei esperando a Marie chegar. Peguei a rosa nas minhas mãos e fiquei a admirando, quando de repente percebo a porta se abrir. Larguei rapidamente a rosa sobre o criado do mudo e encarei a Marie.
–Demorou – eu disse rindo.
–Precisava agradecer ao Chaz pela carona já que você saiu do carro sem dizer nada. – ela disse enquanto me analisava. – Você está estranha. – em seguida pude perceber que ela olhava para a rosa sobre o criado do mudo. – O Justin te deu uma rosa?
Olhei em seus olhos sentindo meu rosto corar, ela estava com os olhos arregalados e seu rosto possuía uma expressão surpresa. Apenas confirmei movimentando minha cabeça.
–Não acredito! – ela disse se sentando ao meu lado. – Nunca achei que ele fosse tão romântico, na verdade sempre o achei frio demais. Olha que estudo no mesmo colégio que ele desde que me conheço por gente.
–Ele não é nada disse, ao contrário. Ele é... único – disse sorrindo de canto.
–O que você fez com ele para que agisse assim? Eu vi muito bem aquele clima entre vocês dois no gazebo. Por que você não me contou que ia com ele no festival? – ela disse eufórica.
–Calma Marie foi apenas um encontro entre amigos. Não tinha um par então ele foi gentil e me chamou para ir, só isso. – Não queria que ninguém soubesse dos acontecimentos. Me sentia mal de não revelar tudo para a Marie, mas era necessário.
–Agora eu sei por que o Eric veio brigar comigo por eu não ter impedido que você fosse com o Justin e também por não ter avisado a ele.
–O Eric é um idiota. Ele até me insultou quando nos viu juntos, por pouco não aconteceu uma briga feia. – eu disse indignada com a atitude dele.- Mas e você e o Chaz? – perguntei sorrindo.
–Foi simplesmente perfeito. Não tão romântico como você e o Justin, com aquela citação de Shakespeare e nem com rosa vermelha, mas para mim foi perfeito. Digamos que estamos ficando sériamente. – ela disse radiante.
–Fico feliz que esteja dando certo. Marie tem como agora você me ajudar com o espartilho? – perguntei risonha.
–Claro! – ela disse se levantando.
Me levantei e fiquei de costas para que ela pudesse desarmar.Enquanto Marie mexia no espartilho, ela me perguntou:
–Por que não está preso firmemente? Eu apertei tanto para que ficasse certinho.
–Deve ter afrouxado um pouco, afinal faz tempo que estou com ele. – disse com receio que ela descobrisse a verdade.
–Mas o nó está frouxo e esse laço não é meu. – ela perguntou pensativa.
–Como não é seu Marie? E como você qual é o seu laço? Fala sério- disse rindo.
–Eu sempre faço dois laços e tentei fazer com que os cordões tivessem o mesmo tamanho para ficar mais bonito. Aqui só tem um laço e os lados não estão do mesmo tamanho.
–Deve ter se desfeito sozinho ou... sei lá. Que preocupação a sua com apenas um laço.
–É deve ter se desfeito sozinho – Marie disse ainda pensativa.
Em seguida tirei meu vestido e coloquei meu pijama. Arrumei a cama e me enfiei debaixo das cobertas. Dei uma última olhada para a lua que preenchia a janela do quarto, admirei a rosa ao meu lado e fechei os olhos.
Acordo com meu celular apitando. Olho para o relógio preso na parede e percebo que são oito horas da manhã. Corri toda atrapalhada, tropeçando várias vezes até chegar a minha mochila que estava encaixada na maçaneta da porta do quarto. Tirei meu celular de dentro dela e atendi.
–Alô?!
Mas ninguém me respondeu. Olhei para o visor e percebi que era uma mensagem e não uma ligação. Abri a mensagem e li o que eu estava escrito.
Te pego daqui a meia hora. Me espera na frente da casa da vó da Marie.
Justin
Droga logo agora? Ainda eram oito horas e tinha o dia todo para fazer tarefa, sem contar que hoje é sábado e ontem eu fui dormir muito tarde por causa do festival.
Me arrumei, peguei minha mochila, escrevi um bilhete para a Marie e deixei em cima do criado do mudo. Aproveitei e guardei a rosa e minhas coisas dentro da big mochila. Meu vestido teve que ficar por lá mesmo, depois eu passava para pegá-lo.
Quando desço as escadas percebo que ninguém estava de pé, pelo jeito os avôs da Marie dormem até um pouco mais tarde. Como não tinha como eu trancar a porta da frente quando saísse resolvi pular o cercadinho dos fundos. Fiquei esperando na frente da casa da vó da Marie, como dizia a mensagem. Ele estava demorando muito então fiquei deitada no meio do gramado com minha cabeça apoiada na minha mochila. Depois de uns minutos escuto soar uma buzina. Olho para frente e vejo o carro de Justin com ele dentro e pude perceber que estava rindo.
Me levantei, limpei minha roupa, peguei a mochila e fio até seu encontro. Entrei dentro do carro, coloquei o cinto e fiquei olhando para frente com o meu corpo totalmente afundado no banco de couro.
–Bom dia querida Julieta! Como dormiu? – ele perguntou rindo fraco.
–A pergunta deveria ser... quanto tempo você dormiu? – respondi sarcástica. –Se quer saber, foi bem pouco.
Ele deu a partida e foi dirigindo pelas ruas pouco movimentadas. Afinal quem acordaria essa hora logo no dia seguinte do grande festival? Aaaa... é claro, o Justin.
–Não vai falar comigo? Eu te avisei que ia te mandar uma mensagem. – ele disse ligando o rádio. Estava tocando “Teach Me How To Dougie”.
–Você falou que ia manda uma mensagem combinando e não avisando de supetão que apareceria em poucos minutos em frente à porta. – disse brava.
–Desculpa, não foi minha intenção te deixar tão mal humorada. Pelo jeito seu sonho estava muito bom para não querer levantar. Diz aí... sonhou comigo não foi? – ele perguntou rindo fraco e sorrindo em seguida.
Na verdade eu tinha mesmo sonhado com ele esta noite, mas não poderia contar. Fiquei quieta e apenas mudei de rádio. Começou a tocar “You Are The Only One” da Emily Osment.
Coloquei meus óculos escuros para tentar barrar a claridade que incomodava meus olhos e fiquei cantando a música que estava rodando.
–Não sabia que você era uma roqueira. – Justin disse olhando para meu estado e em seguida desviando seus olhos para o rádio do carro.
–Digamos que tenho meus dias de roqueira. – disse sorrindo desanimada.
–Hey gata, não fica assim comigo. – ele pediu se sentindo culpado.
Me deu dó de ver ele daquele jeito, talvez eu tivesse exagerado um pouco.
–Se quer uma dica, um café da manhã seria ótimo para melhorar meu humor. – disse rindo e o olhando.
–Ok... – ele disse rindo junto comigo. – Próxima parada: cafeteria. – ele disse acelerando o carro.
Rapidamente chegamos na cafeteria. Descemos do carro e entramos juntos. O local estava praticamente vazio a não ser algumas pessoas que vieram direto do festival. Todos vestidos com aquele traje a rigor que eu felizmente não estava mais usando. Nos sentamos em uma mesa e fizemos nossos pedidos a atendente. Enquanto aguardamos a entrega dos pedidos ficamos lá conversando.
–E então... dormiu bem durante esse pouquíssimo tempo? – ele perguntou rindo.
–Sim. Dormi perfeitamente bem. – respondi sorrindo corada – E você?
–Melhor do que eu seria impossível. – ele respondeu dando uma piscadinha.
Nós dois sabíamos no que realmente estávamos nos referindo.
–Quais são os planos para hoje? – perguntei enquanto batucava na mesa.
–Depois de comermos, vamos para minha casa. Começamos pelos deveres, depois a aula de luta e em seguida vamos nos divertir um pouco. – ele disse pegando na minha mão.
Encarei nossas mãos unidas e depois olhei dentro dos seus olhos.
–Justin?! – alguém disse de pé bem ao nosso lado.
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