
Ele deixou a Jazmyn em sua casa, passou na casa da avó da Marie para pegar o vestido e me deixou em casa.
O resto do final de semana foi normal. Almoço em família, compras com minha irmã, telefonemas com a Emily e uma saída com a Marie. Como confiava na Marie, eu revelei as coisas sobre eu e o mais popular capitão do time de baqueta da escola. Para ela tudo eram flores, mas para mim, apesar de gostar muito mesmo dele, era um futuro um tanto incerto. Ele me pediu uma chance e eu estou dando, talvez eu também tenha que aprender a dar uma chance para minha felicidade. Eu sou uma menina tão racional e pensativa, sempre me preocupo com as conseqüências. Já o Justin é o meu oposto, aproveita o momento e nem se quer pensa antes de agir, ignora por completo qualquer possibilidade de existir uma conseqüência.
No colégio todos nos olhavam como se fizéssemos algo errado, na verdade como se eu estivesse fazendo algo errado. Dentro dos limites escolares eu barrava qualquer tipo de carinho a mais ou beijo que o Justin tentava me dar. Se para ele eu não era mais uma então não era necessário ficarmos desfilado junto como um casal. Eu pedi para escondermos nosso romance, de imediato ele relutou, mas loco se redeu. Querendo ou não foi uma prova de que para ele o nosso lance não rotulado era realmente sério. Nem seus amigos saibam apenas a Marie, mas é claro sem detalhes. Chaz e Ryan eram excelentes amigos, porém não conseguiriam agüentar não fazer algum comentário ou piadinha, então ficaram por fora da “novidade”.
Meses se passaram dessa forma. Justin e eu vivíamos grudados depois das aulas. Ele sempre ia para a minha casa para estudarmos, lutarmos e principalmente namorarmos. Minha confiança só crescia com ele. Nunca mais pisei em sua casa depois daquele dia, sempre desviava o assunto quando ele me convidava para ir lá. Não é que a mãe e a irmãzinha deles sejam más pessoas, na verdade são adoráveis, mas ainda continuo sendo uma novidade para eles. Sou uma menina diferente do esperado para Justin. Tantas vezes cheguei a conclusão de que a Cloe era realmente a garota certa para ele, mas Justin sempre me fazia mudar de idéia com suas provas de amor e seu romantismo. Dentro de seus olhos pude ver que eu era especial para ele assim como ele era para mim.
Na semana que teria um feriado prolongado eu planejei viajar para Floripa, assim poderia matar a saudade da Emily e do meu país. Já estava tudo pronto, as passagens estavam compradas e as malas estavam feitas, só faltava avisar o Justin dos meus planos para o feriado. Teria que contá-lo com calma, pois ele estava um tanto abalado nessa semana por motivos que desconheço. Quando estava pensando nele senti meu celular vibrar dentro do meu bolso e ver que era ele chamando. Atendo o telefone e apenas escuto ele citar meu nome e em seguida a chamada foi cancelada. Comecei a ficar preocupada, eu ligava para ele, mas ninguém me atendia.
Estava prestes a ligar outra vez quando escuto a campainha tocar. O medo tomou conta de mim e eu fui correndo abrir a porta. Encontro o Justin virado de costas para mim.
–Justin? – pergunto com uma voz encabulada.
–Jú!! – ele se virou e me abraçou fortemente.
Parecia que ele estava nervoso, eu nunca o tinha visto desse jeito.
–Jus… está tudo bem? – perguntei retribuindo seu abraço.
Ele não disse nada, apenas continuou abraçado a mim. Escutei ele fungar no meu ombro, com seu rosto escondido em meus cabelos, deduzi que estava chorando.
–Vem amor… - disse beijando seu rosto e o levando para o eu quarto.
Tranquei a porta e nos sentamos em minha cama. Ele não parava de chorar e aquilo me matava por dentro. Por mais que ele tentasse esconder duas lágrimas na minha frente eu ignorei sua vergonha e o puxei para mais perto de mim. Fiz ele deitar no meu colo e fazia cafuné para confortá-lo. Não ia forçá-lo a dizer nada, por mais que a minha curiosidade me consumisse, ele só falaria os motivos de sua tristeza se quisesse. Fiquei praticamente uma hora inteirinha afagando seus cabelos, o abraçando, dando beijos na sua testa e acariciando seu rosto. Seu choro aos poucos foi se cessando, ele me encarou com seus olhos vermelhos e sussurrou:
–Obrigado.
–Shhh… você sabe muito bem que pode sempre contar comigo. – disse carinhosamente.
Ele se sentou e retirou um envelope de dentro de um dos bolsos da sua jaqueta de couro. O colocou em cima da cama e disse de cabeça baixa:
–Eu descobri uma coisa muito importante.
Fiquei quieta, não queria pressioná-lo. Continuei a olhar para seu rosto aflito enquanto esperava ele continuar a falar.
–Um oficial da justiça apareceu na minha casa e me entregou essa carta – ele espirou fundo – É uma intimação destinada a minha mãe. Fiquei a semana toda encarando essa carta e finalmente tomei coragem para ler o que dizia. Sei que não deveria abri-la, mas é que fiquei preocupado, eu precisava saber. – ele se aproximou mais de mim e me entregou o envelope – Nela diz que meus pais estão lutando pela minha guarda. – ele disse com a voz fraca e com lágrima nos olhos.
Larguei rapidamente o envelope e o abracei.
–Jus… - eu disse sentindo lágrimas brotarem dos meus olhos
Não sabia o que dizer, ele precisava apenas de um ombro amigo e de muito carinho. Vê-lo naquele estado foi como se golpeassem sem dó e piedade o meu pobre coração. O trouxe para mais perto do meu corpo e fiz com que ele se deitasse ao meu lado.
–Eu estou aqui com você, ok? Vou estar ao seu lado a todo o momento.
Percebi ele esconder seu rosto e ficar lutado para não chorar.
–Chora amor… pode chorar! Não precisa ficar com vergonha de mim. – disse o envolvendo mais ainda em meus braços. – Se quer saber… ainda continua lindo como sempre.
Ele deu um riso contido e depois se entregou as suas emoções.
–Não queria que me visse nesse estado – ele disse envergonhado.
–Não gosto de ver você chorar, me machuca. Mas é bom saber que você confia em mim assim como confio em você. Eu estou nessa junto com você amor, não vou te deixar só.
–Obrigado. Eu te amo – ele disse e em seguida me beijou.
Ficamos abraçados e fazendo carícias até ele dormir. Seu rosto era ainda mais angelical quando dormia, dava mais vontade de protegê-lo e envolve-lo em meus braços. Depois de admirá-lo, peguei o envelope e li a intimação. Jeremy queria a guarda de Justin na justificativa de que durante os cuidados da Pattie ele tenha levado uma vida muito longe do que deveria ser para um adolescente saudável. Continha observações de que Justin já se envolveu em brigas, foi pego dirigindo bêbado e em lugares onde é proibido para menores. Pelo jeito o passado de Justin era pior do que eu pensava, nem parecia que estavam falando do mesmo Justin que eu conheço e por quem sou completamente apaixonada. Além de tudo ainda dizia que ele já foi até encaminhado a consultas psicológicas, mas não foram suficientes.
Deve ser por isso que a Pattie proibiu ele de levar meninas para sua casa, ela só queria protegê-lo de um confronto entre as pessoas que ele mais ama. Ela estava lutando para permanecer com a custódia de seu único filho. Guardo a intimação e coloco sobre a cama. Cubro o Justin e desço as escadas. Vou até a cozinha e acabo tendo uma idéia.
Termino de preparar o brigadeiro de panela e subo para meu quarto. Abro a porta e vejo Justin ainda dormindo. Coloquei a panela e as duas colheres sobre o criado mudo e me sentei ao seu lado. Me dava dó de acordá-lo afinal ele estava tão calmo e sereno, mas eu precisava fazer isso.
–Jus… jus… acorda! Amor… acorda! Vai amor… acorda! – eu disse distribuindo vários beijos por todo seu rosto.
Ele abriu os olhos e me abraçou fazendo com que eu caísse por cima dele. Dei um selinho em seus lábios e em seguida ele encarou a panela ao nosso lado.
–O que é isso? – perguntou confuso.
–Brigadeiro de panela. – respondi sorridente. – Não tem nada melhor do que comer brigadeiro de panela direto da panela – disse me soltando de seus braços.
Peguei a panela, as colheres e lhe ofereci uma delas que estava em minhas mãos. Ele pegou curioso e se sentou ao meu lado na cama.
–Pode pegar. Tenho certeza que você vai gostar.
–Mas comer assim? –ele perguntou olhando para a colher e para a panela.
–Acredite… essa é a graça – eu disse rindo, pegando um pouco do chocolate e comendo em seguida. –Pega Jus... está uma delícia.
–Ok… - ele disse fazendo uma cara estranha
Ele pegou um pouco de chocolate em sua colher e experimentou com cuidado. Olhei para Justin a fim de descobrir se ele tinha gostado ou não.
–É bom… - ele disse rindo e pegando mais um pouco de chocolate de dentro da panela – Muito bom!
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