Depois da reunião do clube de teatro nós fomos rumo à aula de educação física. Eu fiquei fazendo flexões, abdominais, alongamentos e correndo em volta da quadra enquanto o time de basquete jogava e as líderes de torcida treinavam.
–Vem, eu te ajudo – Alan pareceu na minha frente e me ajudou a levantar do chão depois de uns abdominais doloridos.
–Obrigada. – agradeci e lhe dei a mão.
–São só uns abdominais e não um bicho de sete cabeças. – ele disse rindo do meu estado.
–Para mim é mais fácil enfrentar um bicho de oito cabeças. – disse rindo junto com ele.
–Exagerada – disse ele – Eu achava que você era diferente.
–Diferente como? – perguntei curiosa.
–São sei... achava que você era fútil como as outras meninas. Tenho que te pedir desculpas pelo o que eu falei sobre você naquele dia da briga com o JB.
–Que bom que você me conheceu realmente. – disse e fui andando até o vestuário.
Quando cheguei ainda não havia ninguém, assim dava para tomar um banho tranquilamente.
–Tenho tomar um banho rápido e me produzir. – a Cloe disse assim que entrou no vestuário.
–Por que tanta pressa? – uma de suas amigas perguntou.
–Tenho um compromisso. – Cloe disse alegremente – Vou me encontrar com o JB!
–Sério? – uma outra menina disse e elas começaram a comemorar.
–Não acredito. Vocês voltaram?
–Não, mas acho que de hoje não passa. Tenho certeza que ele vai me pedir em namoro.
–Mas e a Julieta? Ele já a esqueceu?
– Depois daquela gravação as coisas entre eles só pioraram. – Cloe disse vitoriosa enquanto tomava banho do chuveiro ao lado.
–Ainda bem que você chegou a tempo de gravar aquela conversa.
–O melhor é não precisei fazer mais nada, só gravei e mandei para a rádio. Todos ainda acham que foi o JB quem fez a gravação só para humilhá-la.
–E se ele descobrir? – a amiga dela perguntou.
–Ninguém vai descobrir só nós sabemos. – ela respondeu e desligou o chuveiro.
Enquanto elas se arrumavam eu fiquei em silêncio tentando absorver tudo o que eu escutei. Então a Cloe foi quem me expôs daquele jeito e não o Justin, não foi o meu Justin.
–Bom... agora tenho que ir. O JB já deve estar a caminho do jogo de hóquei. – Cloe disse e saiu do vestuário.
–Espera, nós também já estamos de saída.
–Mas você curte hóquei.
–Não, nunca assisti um jogo se quer. – ela respondeu rindo – Vamos logo.
–Pronto, vamos. –uma menina disse e elas foram embora.
Sai rapidamente do chuveiro, me sequei e fui me trocar. Peguei as minhas coisas e corri até o estacionamento. O carro do Justin não estava mais lá, dele deveria estar a caminho do estádio.
–Marck! – disse ao motorista do ônibus escolar – Você pode me deixar no Estácio onde vai ter um jogo de hóquei?
–Mas por quê? Você não vai para casa? – ele perguntou confuso.
–É que é urgente. Me diz se você pode ou não me deixar lá.
–Bom... é caminho. Tem um ponto que para lá perto.
–Ótimo. – disse sorridente - Então dá para você me levar lá?
–Claro. Entra aí. – ele disse fazendo sinal para que eu entrasse.
–Muito obrigada. – disse entrando apressadamente.
O caminho que estávamos tomando era desconhecido por mim. Eu não fazia idéia de onde tinha parado.
–Ali está o estádio. – Marck disse apontando para frente.
–Aaa... obrigada Marck. Você salvou a minha vida. – disse descendo correndo do ônibus.
–O jogo já deve ter começado. – ele disse, fechou a porta do ônibus e deu tchau.
Respirei fundo e corri em direção ao estádio. Ele estava lotado e havia várias pessoas na fila tanto para entrar quanto para comprar ticket.
–E agora? – disse aflita.
Entrei na fila e olhei para a tabela de preços. Estudantes pagavam 50 doláres.
–Moça, estou vendendo ingresso por 100 dólares. – um cambista disse ao meu lado.
–100 dólares? – perguntei espantada pelo preço.
–Se você comprar não vai precisar enfrentar essa fila toda e ainda correr o risco de esgotar os ingressos.
–Droga... não tinha pensado nisso. – disse assustada.
–Vai querer ou não?
–Está bem me dá um ticket. – disse e tirei minha carteira da bolsa.
–Aqui está. – ele me entregou e eu o paguei.
Saí correndo até a fila de entrada e finalmente consegui entrar no estádio. Havia pessoas por todos os lados. Eu não fazia idéia por onde começar a procurá-lo, só sei que precisava ser rápida.
–Justin?! - gritei e corri até ele. Assim que o menino me olhou pude perceber que tinha me enganado. – Desculpe. Achei que fosse outra pessoa.
Caminhei por todos os cantos e não consegui achá-lo. Será que eles não mudaram de idéia e resolveram ir para outro lugar? Será que eles foram para outro jogo e não para esse? Várias perguntas latejavam na minha cabeça enquanto o desespero e a culpa tomavam conta de mim.
–Eu o perdi de vez. – disse baixinho e andei devagar entre as arquibancadas.
Meus olhos se enchiam de lágrimas e imagens da Cloe e do Justin namorando me deixava mais triste ainda. Como ela disse, ele talvez a pediria em namoro hoje mesmo, sem falta. Levanto meu rosto e limpo as lágrimas. Vejo o Justin falando algo para a Cloe e se levantando do seu acento.
–JUSTIN! – gritei e corri.
Como estávamos distantes e o som estava alto ele não tinha me escutado. Ele foi até o vendedor de cachorro quente e pediu um lanche e um refrigerante.
–JUSTIN! – corri mais ainda e saia pulando os degraus com toda a velocidade que eu conseguia – Justin! – gritei mais uma vez sem me importar com os olhares das pessoas e com os empurrões que eu dava.
–Julieta?! – ele disse surpreso e olhou para mim.
–Jus! – disse e finalmente o alcancei.
Sem dar a oportunidade dele dizer nada eu o beijei. Ele não se moveu, estava intacto na minha frente. Entrelacei meus braços em se pescoço e continuei beijando-o. Ele se rendeu e retribuiu o beijo. Suas mãos prenderam meu corpo junto ao seu e seus lábios macios deslizavam sobre os meus. Sentia falta de estarmos assim tão perto e sem nenhuma barreira entre nós. Ele apertava delicadamente a minha cintura e intensificada o beijo enquanto eu mexia em meu cabelo. Separamos nossos lábios e estávamos ofegantes.
– O que foi isso? – ele perguntou confuso mas expôs um sorriso no rosto.
–Me desculpa. – disse enquanto segurava em suas mãos – Me perdoe por tudo o que eu te falei. Me perdoe por não ter acreditado em você.
–Eu não estou entendendo. O que deu em você? Por que tudo isso logo agora? – ele perguntou surpreso.
–Sei que você não quer nem me ver e sente raiva de mim. Mas eu descobri tudo. Descobri que foi a Cloe quem gravou aquela conversa do vestuário ao invés de você. Foi ela quem enviou até a rádio e pediu para que a Marie tocasse para toda a escola escutar. Ela queria que eu achasse que fosse você. Mas agora sei que não foi e que eu sou uma tola por não ter acreditado em você. Eu estraguei tudo. Vou entender se você não quiser mais nada comigo, mas eu precisava ter tentado voltar a trás para consertar os meus erros. – disse tudo de uma vez.
–Hey... – ele disse apertando a minha mão e me chamando a atenção – Você é uma louca. Mas loucura maior é você achar que eu não te quero.
–Eu te amo. – sorri e lhe abracei fortemente.
–Eu também te amo. Mais do que eu mesmo poderia imaginar. – ele disse retribuindo o abraço e beijando meu pescoço. – Então aquilo que você me disse na sua casa...
–É tudo mentira. – disse lhe interrompendo – Você é a pessoa importante da minha vida e aquela noite foi simplesmente perfeita. Eu não me arrependo de nada do que passamos juntos. Eu não consigo ficar longe de você.
–Aaaaa... você me matou quando disse aquilo – ele falou e distribuiu beijinhos por todo o meu rosto.
–Me perdoe. – disse abraçando a sua cintura – Sou mesmo uma idiota.
–Shhh... – ele disse levando o seu dedo indicador até os meus lábios – Agora está tudo bem. Vamos esquecer de uma vez por todas todos aqueles sofrimentos e aproveitar de agora em diante.
–Não acredito que você ainda me perdoa depois de tudo. – disse envergonhada.
–Não foi culpa nossa. E me diz uma coisa... como eu posso viver se você é quem está com o meu coração? – ele disse sorrindo de canto.
–Aaaw... você é mesmo único. – disse e lhe dei um selinho – Obrigada por ainda estar ao meu lado.
–Eu te amo. – ele sussurrou no meu ouvido e beijou aminha testa enquanto me envolvia em seus braços macios e quentes.
Lembrei do que minha mãe tinha me dito naquela manhã.
–“Você está sorrindo por acaso? Então como você tem tanta certeza que é mesmo o correto?”
Agora eu tinha certeza que ficar com ele era o certo, pois um sorriso imenso estava estampado tanto no meu rosto quanto no dele.
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