Caminho até a barraca do Ryan e encontrei a Marie e o Chaz sentados conversando.
–A beijoqueira resolveu aparecer. – Chaz disse risonho.
–Chaz! – Marie disse lhe dando um tapa no braço. – Não vê que ela não está bem.
–Desculpa, eu estava só brincando. – ele disse sem graça.
–Tudo bem... eu não estou mal. – disse de cabeça baixa – Já podemos ir embora?
–Claro, vamos indo – Marie disse levantando juntamente do Chaz.
Fomos até o estacionamento e entramos dentro do carro.
–Jú... amanhã eu vou para o norte, quer ir? – Marie perguntou sorridente.
–Para o norte? – perguntei confusa.
–É... para esquiar. – ela disse como se fosse obviou – Consegui uma carona com a minha parceira de química. Tem lugar para você, quer ir?
–Não, acho que vou é descansar um pouco nesse final de semana.
–Bom... vou guardar o seu lugar caso mude de idéia.
Despeço-me deles, desço do carro e entro em casa. Guardo o ursinho de pelúcia do tigrão no fundo do meu closet e tomo um banho.
No dia seguinte eu acordo com alguém me sacudindo.
–Acorda Jú!
–O que foi? – perguntei sonolenta.
–Vem comigo para o norte. – era a Marie tentando me convencer.
–Marie... dá um tempo. – disse abrindo os olhos.
–A sua mãe concordou em você ir comigo. – ela disse sorridente. – Vamos, eu te ajudo com a mala.
–Não quero ir.
–Vai ser bem legal, Jú. Por favor! – ela disse com os olhos pidões.
–Mas não dá tempo de arrumar tudo.
–Claro que dá. Vai lá tomar um banho que eu vou fazendo a sua mala. – ela disse contente.
–Você? Fazer a minha mala? – perguntei sarcástica.
–Confie em mim... eu sei muito bem o que você deve levar. Agora vai logo para o banho.
Levantei-me cambaleando e entrei no banheiro, tomei um banho quente e me troquei. Ajudei a Marie a terminar de arrumar minhas coisas, peguei minha bolsa e descemos as escadas.
–Que bom que você mudou de idéia, filha. – meu pai disse contente. – Porque se não você iria ficar a maior parte do seu final de semana sozinha dentro de casa.
–É... – disse sentando-se à mesa de jantar.
–Hey... o que você está fazendo? – Marie perguntou confusa.
–Tomando meu café da manhã, oras.
–Não dá tempo. Temos que ir logo. – ela disse apressada.
–Está bem. – disse me levantando e dando um beijo no rosto da minha mãe, do meu pai e da minha irmã.
–Tchau família.
–Quando chegar lá, me liga. – minha mãe disse preocupada.
–Pode deixar que ela vai ligar sim. Agora temos que ir. – Marie respondeu por mim.
Fomos até a pracinha esperar o carro que ia nos levar, como o combinado.
–Ela está demorando muito, assim vamos acabar pegando trânsito. – Marie disse entediada. – Vou ligar para ver o que aconteceu.
Marie discou um número no celular e logo alguém atendeu. Pelo o que eu pude perceber a menina não podia ir mais. Ela desligou o celular e discou outro número.
–Chaz? Tem como você dar carona para mim e para a Jú? É que não temos mais como ir. –Marie pediu. – Ok... estamos esperando aqui na pracinha de frente para uma galeria. É pertinho da casa da Jú.
Depois de combinarem tudo ela encerrou a ligação e disse:
–Pronto... está tudo resolvido.
–Quer saber, acho melhor não ir. – disse entediada – Já começou dando tudo errado.
–Larga de ser boba. Já demos um jeito, o Chaz vai passar aqui.
Depois de alguns minutos um carro chega buzinando.
–Oi gatinhas. – Ryan disse risonho colocando a cabeça para fora da janela. – Prontas para congelarem?
–Nem um pouco. – respondi pensativa.
–Relaxa Jú... lá tem lareiras, cobertores, chocolate quente... – Chaz disse descendo do carro e nos ajudou a guardar nossas coisas no porta mala.
–O Ryan que é friorento. – Marie disse abrindo a porta e entrando.
Olhei para dentro e vi que não tinha espaço para mim, pois todos os lugares já estavam ocupados com o Ryan, a Marie e o Chaz atrás.
–Hey... e eu? – perguntei surpresa – Vocês não esperam que eu vá em cima do teto do carro. E você Chaz, não via dirigir não?
–Não... hoje eu não sou o motorista de ninguém. Pode ir na frente. – ele respondeu rindo.
Dei a volta e abri a porta do carona, entrei e fechei-a em seguida. Olhei par ao lado e vejo o Justin me olhando carinhosamente. Fiquei paralisada por saber que ele é quem iria nos dar carona.
–O que é isso? – perguntei praticamente sem voz.
– Ryan... porque você não troca de lugar com a Jú. – Marie sugeriu.
–Pra quê? – ele perguntou sem entender nada.
–Porque eu preciso contar uma coisa para ela, então seria melhor que ela ficasse ao meu lado. – Marie disse inventando uma desculpa qualquer.
–Nem pensar, vocês duas vão ficar a viagem toda fofocando. – Ryan disse e se afundou no banco.
No final ninguém quis trocar de lugar comigo e eu estava pensando seriamente em descer do carro e voltar para casa.
–Desculpa gente, mas eu mudei de idéia. Não vou mais viajar. – disse abrindo a porta.
–Não! – Justin disse tocando na minha mão e impedindo que eu fosse.
Olhei para a sua mão sobre a minha e ele logo a tirou.
–Espera Jú. Vem com a gente. – Chaz pediu.
–É... você não vai me deixar sozinha com esse bando de loucos. – Marie disse e em seguida todos eles reclamaram.
–Vai Jú... vou te ensinar a esquiar. Você vai adorar. – Ryan disse sorrindo.
Pensei em como poderia sem legal esquiar, afinal nunca fiz isso na minha vida. Olhei para o Justin e resolvi que iria também para provar que a sua presença para mim era irrelevante.
–Ok. Só vou para esquiar, porque se fosse por vocês eu não ria não. – disse rindo fraco e fechando a porta.
–Hey... não tem graça! - Marie disse jogando um travesseiro na minha cara.
Antes de pegar a estrada nós paramos em uma cafeteria para comermos algo. Pedimos para viagem donuts e cappuccinos. Voltamos ao carro e seguimos em frente.
–Ryan, por aonde vamos agora? – Justin perguntou se referindo a que caminho tomar.
Ninguém respondeu nada.
–Chaz? – Justin chamou ao outro, mas também não obteve nenhuma resposta.
Olhei para trás e vi que os três estavam dormindo desajeitados. Comecei a rir.
–Sorte deles que podem dormir. – Justin disse olhando pelo retrovisor.
–É. – concordei parando de rir.
–Você pode me ajudar, vendo no mapa? – Justin perguntou – Está dentro do porta luvas.
Abri e o peguei.
–Bom... aqui diz que... espera – disse olhando e analisando o caminho. – É... pegue a esquerda.
– Esquerda? – ele perguntou
–Sim.
Ficamos seguindo até que eu começo a perceber que já tínhamos passado por aquele lugar.
–Justin... nós já passamos por aqui. – disse olhando pela janela.
–Não passamos não. – ele respondeu seguindo em frente.
–Não acha melhor paramos em algum lugar para perguntar?
–Não precisa.
Depois de algum tempo andando em círculos...
–Hey... onde estamos? –perguntei olhando ao redor.
–A caminho. – Justin respondeu inseguro.
–Estamos é perdidos isso sim. – disse cruzando os braços.
–Você quem disse para virar à esquerda. – Justin disse me olhando.
–Foi o que está indicava o mapa. – falei.
–Quando passarmos por lá novamente, eu vou virar a direita.
–Tanto faz. – disse.
Saber que estávamos mesmos perdidos me deixava cada vez mais preocupada.
–Para logo esse carro. – disse irritada.
–O que você quer? – ele perguntou.
–Saber onde estou. – disse procurando por algum lugar – Pare ali.
–É um bar.- Justin disse assustado – Você acha que algum deles vai saber onde estão?
–Devem saber mais do que a gente.
Ele parou o carro e olhou para mim.
–Espera aqui que eu já volto. – disse abrindo a porta.
–Você não vai entrar ali. – ele disse a fechando.
–Por que não?
–Porque é um bar. Está cheio de bêbados lá dentro.
–Só vou entrar, perguntar onde estamos, pedir ajuda sobre o caminho e volto. Vai ser rápido. – disse abrindo a porta novamente.
–Vou com você. – ele disse abrindo a dele.
–Você está louvo? Vai saber se alguém resolve roubar o carro e também o Ryan, a Marie e o Chaz estão aqui dentro dormindo.
–Então vamos entrar no carro, aí a gente se vira.
–Volto logo. – disse andando rápido até a porta do bar.
Assim que pisei lá dentro todos me olharam. Aquele bar estava repleto de homens bêbados e sujos, uns estavam até debruçados sobre a mesa.
–Moço você pode me dar uma informação? – disse ao homem que cuidava do balcão.
–Só se pedir algo. – ele respondeu friamente.
–É... tem água? – perguntei inocentemente.
–Claro que não... aqui é um bar. – ele disse rindo.
–Eu pago uma dose para ela. – um homem mais novo que o restante disse se aproximando de nós. Ele deveria ter entorno de 20 anos.
–Não precisa. Obrigada. – recusei cabisbaixa.
–Vai Couto, serve uma dose para ela. – ele disse insistente.
–Eu não bebo. – disse dando um passo para trás.
–Notei isso assim que você entrou. – ele disse rindo – Deveria ao menos experimentar.
–É que eu já estou de saída.
–Mas já? – ele disse segurando no meu pulso e me puxou para perto.
–Já até passou da hora. – disse tentando me soltar.
–Não acho. – ele disse apertando mais ainda meu pulso.
–Tira a mão dela. – Justin disse entrando seriamente no bar.
–Quem é ele? O seu namoradinho? – ele perguntou risonho.
–Pode, por favor, me soltar. – disse tentando fugir.
–Por quê? – ele perguntou se divertindo com a situação.
–Ela disse para soltar. – Justin disse vindo até nós.
–Fica quietinho. – ele disse ao Justin.
–Vem... vamos embora daqui. – Justin disse me arrancando de perto do moço.
–Hey! – ele disse voltando a segurar meu braço.
–Falei para deixá-la em paz. – Justin disse lhe dando um soco.
O homem cambaleou e caiu apoiado no balcão do bar.
–Você é mesmo muito atrevido garoto. – ele disse e revidou o soco.
–JUSTIN! – gritei aflita.
Empurrei o moço de cima dele e o ajudei a levantar.
–Você está bem? – perguntei preocupada.
–Vamos sair logo daqui. – ele disse e me levou até a porta.
Entramos apressados dentro do carro e rapidamente ele deu a partida.
–Ai! – se queixou de dor assim que girou o volante.
–Justin... você deve estar machucado. – disse lhe olhando por completo. – Onde dói?
–Esquece, está bem... esquece. – ele respondeu irritado – Isso tudo aconteceu porque você e teimosa demais. – ele respirou fundo e continuou - Você sempre tem que teimar com tudo, até mesmo como os seus próprios sentimentos.
–Não vem falar dos meus erros porque você também não é nenhum pouco perfeito. – disse chateada.
Apoiei o travesseiro na janela e me afundei no banco. Fiquei virada de costas para ele, vendo a paisagem de fora até conseguir cair no sono.
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